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terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Clarissa e o pôr-do-sol

Relia eu a Clarissa, do Érico Veríssimo. Em determinada passagem, comentei com minha filha que a menina, após o jantar, perguntou qual seria a sobremesa, e a resposta foi “pêssegos em calda”. Clarissa teria retrucado: “Outra vez!”.
A minha menina afirmou que adoraria comer sempre pêssegos em calda.
Não, rebati, se você comesse sempre, odiaria. Porque de tudo nos fartamos. É preciso a diversidade e a falta, para que possamos apreciar o que temos. Se você comesse lasanha todos os dias – ela a-do-ra-va lasanha –, iria enjoar.
Ela concordou e não concordou comigo. Acho que apenas fingiu que sim, para não me contrariar.
O tempo passou.
Quando morei no interior, no alto do morro, tínhamos um horizonte muito extenso. O sol pousava mansamente sobre a represa, transluzindo o céu e as águas em manchas coloridas. Era belíssimo. Era belíssimo todas as tardes. Tantos dias, que deixei de apreciar.
Sabia-o belo, mas não mais subia à varanda, para aguardar o pôr-do-sol.
Passou a ser o belo para mostrar-se aos outros, como um troféu, um prêmio que se tem guardado.
Deixou de ser o suficiente. Eu precisava de mais do que o belo. O belo pôr-do-sol de todas as tardes.
Porque mesmo do bom e do belo se farta, se temos apenas a ele todos os dias.

ITANHAÉM, MEU PARAÍSO

ITANHAÉM, MEU PARAÍSO
Nada vale um coração tranquilo.

Quem sou eu

Minha foto

Da capital, já morei entre verde e bichos, na lida com animais e plantas: anos de injeção, espinho de ouriço, berne, parto de égua e curva de nível, viveiros, mudas, onde encontrei tempo para lecionar inglês, alfabetizar adultos e ler livros, na solidão do mato. 

Paixões se sucederam e convivem até hoje: Contabilidade, Economia, Arquitetura (IMES, MACK), a chácara e, afinal, o Direito (FDSBC, cursos e pós graduações). No Judiciário desde 2005, planto, replanto, reciclo, quebro paredes, reconstruo, estudo, escrevo e poetizo, ao som de passarinhos, que cantam nossa liberdade.

Não sou da cidade, tampouco do campo. Aprendiz, tento captar o que a vida oferece, para que o amanhã seja melhor. Um mundo melhor, sempre.

Agora em uma cidade mágica, em uma casa mágica, na qual as coisas se transformam e ganham vida; mais e mais vida. Minha cidade-praia-paraíso, Itanhaém.

Nesta casa de espaços amplos e um belo quintal, que jamais é a mesma do dia anterior, do minuto anterior (pois a natureza cuida do renovar a cada instante o viço, as cores, flores, aromas e sabores) retomei o gosto pelo verde, por releituras de espaços e coisas. Nela planto o que seja bom de comer ou de ver (ou deixo plantado o que Deus me trouxe), colho, podo, cozinho os frutos da terra, preparo conservas e invento pratos de combinações inusitadas, planejo, crio, invento, pinto e bordo... sonho. As ideias brotam como os rebentos e a vida mostra-se viva, pulsante.

Aqui, em paz, retomo o fazer miniaturas, componho terrários que encantam, mensagens de carinho representadas em pequenas e delicadas obras. 

Muito prazer! Fique à vontade, passeie um pouco: questões de Direito, português, crônicas ("causos"), jardinagem e artesanato. Uma receita, uma experiência nova, um redescobrir. 

Pergunte, comente, critique, ok? A casa é sua e seu comentário será sempre bem-vindo.

Maria da Gloria Perez Delgado Sanches

MARQUINHOS, NOSSAS ROSAS ESTÃO AQUI: FICARAM LINDAS!

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