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sábado, 8 de outubro de 2011

O CAMINHO DAS ÁGUAS - IV

Já que o assunto é economia no consumo de água, podemos referenciar os novos modelos de caixas e válvulas para descarga de dejetos.

Ao divulgar a idéia da garrafa, para uma economia de dois litros, a cada descarga, fui lembrada das novas (e ecologicamente corretas) caixas de descarga.

Pesquisei nos sites e vejam: para o uso adequado, são necessários, apenas, três ou seis litros, conforme a necessidade de quem utiliza o equipamento, o que é uma economia surpreendente, em face dos equipamentos tradicionais, que consomem, a cada descarga, de quinze a vinte litros*.


(*) http://casa.abril.com.br/planeta/produtos/planeta_185719.shtml

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O CAMINHO DAS ÁGUAS III

Uma idéia interessante, que entendo deveria ser divulgada: foi ela ensinada na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Mackenzie, e tem como exemplo uma prática utilizada nos Estados Unidos.
Aliás, nos Estados Unidos, anos atrás, foi proibida a fabricação, a compra (ainda que produto de importação) e a venda de recipientes para descarga acima de determinada capacidade.
Já pensou em colocar uma garrafa cheia de água em sua caixa de descarga?
A cada utilização, dois litros de água (nova ou reutilizada) seria economizada.
Além de interessante e ecologicamente correta (o que implica na satisfação pessoal pela adequação do ser humano ao mundo equilibrado), a prática é muito fácil de seguir.

O CAMINHO DAS ÁGUAS II

Uma idéia interessante, que entendo deveria ser divulgada: foi ela ensinada na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Mackenzie, e tem como exemplo uma prática utilizada nos Estados Unidos.
Aliás, nos Estados Unidos, anos atrás, foi proibida a fabricação, a compra (ainda que produto de importação) e a venda de recipientes para descarga acima de determinada capacidade.
Já pensou em colocar uma garrafa cheia de água em sua caixa de descarga?
A cada utilização, dois litros de água (nova ou reutilizada) seria economizada.
Além de interessante e ecologicamente correta (o que implica na satisfação pessoal pela adequação do ser humano ao mundo equilibrado), a prática é muito fácil de seguir.

O CAMINHO DAS ÁGUAS I

Há anos defendo a reutilização das águas das chuvas (CAMINHO DAS ÁGUAS, publicada em 23/03/2009), e o aproveitamento da energia solar, tendo o poder público como principal agente de divulgação e exemplo.
A partir de notícias divulgadas nos sites da internet, vemos a idéia compartilhada pelos nossos legisladores, a exemplo de outras nações de práticas civilizadas e racionais.
É um avanço significativo e memorável.

PRÉDIOS PÚBLICOS ESTADUAIS DEVERÃO CAPTAR ÁGUA DA CHUVA

A Assembléia Legislativa do Rio aprovou, em primeira discussão, nesta terça-feira (13/08), o projeto de lei 1453, do deputado Roberto Dinamite (PMDB), que pretende fazer com que os prédios públicos estaduais sejam obrigados a captar água da chuva através de reservatórios fabricados em material transparente. A proposta, que ainda voltará ao plenário para segunda votação, foi aprovada com a adição de uma emenda da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que inclui a expressão “pertencentes ao estado” no texto, para evitar distorções na aplicação da norma. “Isto é para evitar que o projeto seja questionado futuramente por tentar criar uma obrigação para edificações federais ou municipais”, explicou o autor da emenda, deputado Luiz Paulo (PSDB).

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O MOTORISTA QUE VIROU JUIZ

Divulgo uma história que não aconteceu comigo e da qual não ouvi falar, por amigos ou conhecidos, mas divulgada no jornal O Estado de S.Paulo, anos atrás.

É a história de um entre tantos outros concurseiros, dos milhares que concorrem a cada vaga de esperança por um futuro melhor, um sonho, uma paixão: um juiz, que um dia foi motorista de juiz.

Terá sido fácil? É claro que não. É um exemplo de perseverança, que compartilho, hoje, com vocês.


A História do Motorista do TJ que virou Juíz
Ele veio passear, estudou e hoje é o orgulho da família

Reinaldo Moura de Souza não veio de família abastada, nunca estudou em universidade ou colégio caro nem se matriculou naqueles famosos cursinhos preparatórios para concurso na carreira jurídica.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

SÓ PARA MULHERES

Uma academia feminina. Naturalmente, entram e saem mulheres – malhadas, confiantes.

Rua tal, número tal.
O oficial de justiça pede à recepcionista para entrar.
- Não é possível, meu senhor. Eu tenho ordem de permitir a entrada, apenas, de mulheres.
- Mas eu sou oficial, preciso entrar. Tenho ordem do juiz.
- Não, meu senhor, esta academia é só para mulheres. Tenho ordem de só deixar entrar mulheres.

Um teima, a outra, também.

O equívoco, ao final, é dissipado: no mesmo endereço, meses antes, funcionava uma casa de massagens para homens. Onde igualmente entrariam e sairiam mulheres - malhadas, confiantes.
Talvez ele não tivesse se dado conta de que, além de ser outro estabelecimento – ainda que mesmo o local – o foco fosse outro.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

DOE PALAVRAS

O caminho aprendi com o colega recantista Mário Silva (no Recanto das Letras). Acessando o site, conferi e verifiquei que é possível, fácil e rápido. Doe palavras.

O Instituto Mário Penna lançou o projeto, para que possamos enviar mensagens, que são exibidas nas TVs dos hospitais e lares para os pacientes com câncer (Hospital Mário Penna, Hospital Luxemburgo e Casa de Apoio Beatriz Ferraz), em locais onde os pacientes mais precisam de força, como a sala de quimioterapia.

As mensagens compiladas nesse projeto vão se transformar em um livro, que será doado para diversos hospitais.

De pronto, acessei o site http://www.doepalavras.com.br e enviei algumas palavras. Ele está salvo na barra de ícones (é só entrar nos últimos sites acessados que está lá, para acessá-lo, novamente).

Com esse gesto, pode-se perder um minuto do nosso dia. No entanto, a sensação de conforto – de quem dá e para quem recebe – pode repercutir durante o dia inteiro.

Vamos doar palavras?

ERA UMA VEZ UM BOLÃO DE LOTERIA

.

Muitos anos atrás, um bolão, entre os muitos bolões para loteria.

O escrevente traz os resultados, anotados na agenda: primeiro prêmio!

Sobem nas mesas, gritam, alguns vão embora. Instala-se a balbúrdia.

Mais tarde, aquele escrevente percebe que há uma nota falha e checa a agenda: Meu Deus! Havia passado os números que eles jogaram. Transcrevera o resultado em outra folha.

Os colegas, que já tinham um pé atrás, porque julgavam – acertadamente – que o colega tinha a pretensão de ser juiz, se enraivecem.

O que fazer? Agüentar, esperar, estudar: o tempo resolveria.



O caso nos foi contado pelo próprio escrevente, há muitos anos juiz e alguns deles o titular de nossa Vara, para ilustrar a dispensa de conferir, eventualmente, o atual bolão do qual participamos.



Se ele ganhasse conosco o bolão? Continuaria a ser juiz, evidentemente.



PS: Caso você conheça o protagonista, não divulgarei o comentário se dele constar o nome ou qualquer identificação do magistrado. A história é verídica, curiosa e pública, mas até certo ponto.




Maria da Glória Perez

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

O JOGO É MEU!

Lotérica de Shopping e uma fila enorme de impacientes.
Aproximando-me do guichê observo, ao lado, uma senhorinha, pessoa simples, a insistir com a caixa, em voz alta:
- Antes é preciso preencher o volante, minha senhora.
- Eu nunca preenchi isso, menina! Sempre dou o jogo e fazem pra mim. Por que você não pode?
- É a regra, senhora, primeiro é preciso preencher o volante.
- Você não pode fazer pra mim? Eu não sei fazer.
Dada a insistência - e a fila, que não andava -, a garota do caixa cede à pressão.
- São quatro reais.
- Como??!! Eu sempre paguei dois! Como, quatro reais!
- A senhora me mandou fazer. Fiz. São quatro reais. Agora quer que eu fique com o prejuízo?
Segue-se nova ladainha.
Para encurtar a história, intervenho:
- Pode deixar que eu fico com o bilhete.
A caixa, ante a obstinação da senhora, esclarece:
- A moça ficou com o bilhete. Não precisa mais pagar.
- Como!! O jogo é meu! Ninguém vai ficar com o meu jogo!
- A senhora não quis ficar, ela comprou.
A arenga não termina e eu me distraio com outras coisas. Chega a minha vez.
- Aquela senhora ficou com o bilhete?
- Ficou.
Peço um jogo no escuro e faço alguma outra aposta. A possibilidade de serem sorteados na mega sena os números 01-02-03-04-05-99 é a mesma de qualquer outra combinação.

segunda-feira, 23 de março de 2009

O CAMINHO DAS ÁGUAS

Quando a água encontra um entrave ao seu caminho natural, encontra novo destino. O homem é o responsável pelos obstáculos; é, também, a vítima de sua insensatez. As aglomerações urbanas trouxeram um novo cenário: o do mundo artificial, pavimentado e impermeável. É preciso repensar o modelo.

A palavra de ordem contra as enchentes deve ser represar e deixar passar. Represar as águas possíveis e permitir o curso natural da que não for possível aprisionar.


É sensato e urgente a troca de piso nos estacionamentos de automóveis (públicos e particulares) e nos calçamentos de prédios públicos por materiais porosos, para que a água recebida das chuvas seja direcionada ao lençol freático. A medida garantiria a alimentação de nascentes e diminuiria o impacto das enchentes, o que aliviaria a sociedade de dois problemas: o das enchentes e o das secas.


Também já existe o a).)sfalto impermeável. Por que não é utilizado?

Quanto às cisternas para o aproveitamento das águas pluviais, já existem leis ordenando que novos prédios tenham a previsão delas. Mas não é o bastante.
O poder público pode e deve dar o exemplo. Afinal, o interesse público não é demonstrado apenas quando o Judiciário resolve uma lide ou o Ministério Público abraça uma causa. Quando uma rua é asfaltada ou motoristas são multados por excesso de velocidade. Medidas simples podem ajudar a resolver um grande problema, que se torna maior com o crescimento das cidades.

Se as propriedades públicas recolhessem as águas recebidas, teríamos mais do que uma medida preventiva, mas um exemplo, que viria de cima, com cisternas para o recebimento dessa água (nos prédios dos Fóruns, Prefeituras, autarquias, etc.).
Recolhidas, poderiam ser utilizadas para uso nos banheiros, limpeza e jardins.

Se a bomba fosse acionada por energia solar (poucos receptores bastariam), seríamos exemplo para o mundo - e o custo do investimento seria pago em pouquíssimo tempo.
As placas de captação são caras porque a demanda é pequena. Por incrível que pareça, há uma cidade na Alemanha (que esbanja sol o ano inteiro, pois não?) que é campeã na utilização de energia solar (e no uso de bicicletas, em detrimento dos automóveis).
Com o aumento do consumo, a concorrência aumentaria, e o preço da energia barata poderia ser mais utilizada pelos particulares. Os políticos que implementassem tal idéia teriam maior visibilidade - afinal, vivemos uma era em que a defesa do meio ambiente é tema de discussão nos principais centros do mundo.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

DUAS SENHORAS ELEGANTES

As protagonistas permanecem anônimas. Jamais conheci seus nomes ou história, apesar de participarem de um episódio marcante.

No centro da cidade, pouco à frente de mim, caminhavam duas senhoras. Não eram velhinhas, posto que a conotação é diversa.

Esguias, bem trajadas e penteadas: duas senhoras elegantes. Em certo momento da caminhada, com naturalidade, uma delas agacha-se e recolhe um saco plástico do chão, com a ponta dos dedos. Saco comum, desses de supermercado. Caminha alguns poucos metros e deposita-o na lixeira, com espontaneidade.

Fiquei impressionada, porque até então cuidava - e sempre cuidei - do meu lixo, procurando dar o exemplo e educar minha filha para que jamais jogasse qualquer coisa nas calçadas.

A lição passada foi a de estender os meus dedos e "ajudar a limpar" aquilo que os outros deixam: o máximo em termos de elegância, cultura e refinamento.

Essa imagem ficou gravada, por anos, em minha memória e agora, depois de assimilar a atitude, com naturalidade, posso compartilhá-la. Não precisamos de trombetas, mas de delicadeza e educação, multiplicar as senhoras elegantes, ser uma delas.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

MAUAD E O MOTORISTA

Exemplificando como o sono é importante para o organismo e como serviço noturno pode ser perigoso, nosso professor discorreu sobre uma situação pela qual passou, anos atrás.

Como advogado, viaja muito.
Certa feita, em uma viagem ao Rio de Janeiro, percorria a ponte Rio-Niterói.
É linda!
Mas longa e reta.
Viajava em ônibus noturno e estava estrategicamente posicionado.
Olhando, distraidamente, para o espelho, verifica que o motorista piscou.
Mostra-se atento.
Pisca o motorista, novamente.
Fica alerta.
Na terceira vez, não titubeou.
Dirigiu-se à cabine e começou a entabular uma conversa com o condutor do veículo.
Perguntas vãs, sem propósito por uma resposta.
O motorista, de certo, pensou: quem é esse chato?
O chato era um passageiro certo de que um nada seria preciso para que o veículo despencasse ponte abaixo.
Que não se incomodaria com o epíteto de chato, contanto que chegasse, incólume, ao outro lado da ponte.

O relógio biológico, comum aos animais, data de três milhões de anos.
Vem somatizando ao nosso DNA. O fenômeno da luz elétrica é recente, de pouco mais de um século. O dia foi feito para o trabalho e a noite, para o descanso. A luta contra o sono é uma luta ingrata.
Por tudo isso, o legislador entendeu que este trabalhador devesse ter uma jornada menor, e uma compensação financeira.
É certo que existem pessoas que conseguem funcionar bem à noite. São os chamados notívagos. Estudos reconhecem isso em mais ou menos dez por cento da população.

Brigar com a natureza pode trazer sérios riscos. À nossa saúde e à segurança nossa e de terceiros.
Daí, não custa nada observar pelo retrovisor e ser o próximo chato.

sábado, 27 de setembro de 2008

SÃO PAULO-SALVADOR

Nosso professor Rollo, mestre de Direitos Difusos e Coletivos, profere palestras em universidades de todo o Brasil.

Para ilustrar o erro na informação de produtos e serviços vendidos, nos oferece o seguinte exemplo:

Certa feita, tomou a fila para o embarque no avião que, vindo de Buenos Aires, o levaria a Salvador, seu destino.

Após uma hora de espera, a polícia federal revista sua bagagem e lhe retiram o frasco de perfume. Poderia ser empecilho em uma viagem transnacional, justificado pela proibição de se viajar com líquidos, mas não em um vôo doméstico, São Paulo-Salvador.

O problema: a companhia aérea simplesmente não informou que seria um vôo internacional.

A conclusão: “passagem para Salvador, senhor, de hora em hora”: sob quais condições? Todo cuidado é pouco!

segunda-feira, 9 de junho de 2008

JUSTO É ...

Final de semestre, alunos estressados, professores estressados. Estamos às vésperas das últimas provas antes das férias do meio do ano.

Durante a aula, o professor chama a atenção de um aluno, que estava conversando. Mais tarde, o convida a se retirar.

- Já estava me incomodando. Agora, está incomodando o pessoal. Vai descansar lá fora. É, você.

Nós nos acostumamos, desde o primeiro ano, a esculhambações dos professores, muitas delas culminando na retirada de alunos da sala de aula: bonés, chicletes, livros, trabalhos ou revistas que não tenham a ver com a aula. Foram advertidos alunos por sentarem-se desajeitadamente e convidada a se retirar uma garota que lixava suas unhas durante a exposição do mestre.

Faz sentido. Estamos em uma faculdade de Direito.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

MESTRES DE CADA DIA: O MOTORISTA DE TÁXI

MESTRES DE CADA DIA: O MOTORISTA DE TÁXI


Durante a última aula, nossa professora Rosa fez um pequeno aparte, digno de nota. Novamente é ela a protagonista, dividindo o espaço com uma figura muito especial.

Precisou a professora ir a um enterro, e estava emocionalmente abalada. Como o cemitério Getsêmani ficasse longe, alugou um táxi.

Durante o trajeto, o motorista explicou que foi aprovada uma lei proibindo o uso de amianto na fabricação de materiais de construção e de pastilhas de freio.

Sem o amianto, a durabilidade das pastilhas é menor. No entanto, nenhum motorista teria reclamado. Jamais o motorista ouviu qualquer comentário contrário, embora o custo com a manutenção do seu meio de sustento tivesse crescido.

Isto porque o amianto é um agente comprovadamente cancerígeno, causador de graves danos à saúde.

Comentou então que foi ajuizada uma ação direta de inconstitucionalidade (ADIN) no Supremo, para que fosse declarada a inconstitucionalidade da lei.

Proposta a ação, o ministro Marco Aurélio concedeu a liminar, suspendendo a lei, porque seria inconstitucional.

O ministro Marco Aurélio é sempre o voto contrário. É já lendária a sua posição. A posição do voto contra a maioria. Se existir um voto contrário, é sempre o dele. Mas sua manifestação foi devidamente justificada, segundo o seu entendimento.

Em seqüência, narra o taxista que na véspera o STF teria derrubado a liminar e o amianto continua proibido.

Nossa professora Rosa não sabia do caso, e aprendeu com o motorista. É bastante curioso.

Ela é uma profissional do Direito. Leciona há muitos – e muitos – anos e advoga. Como se não bastasse, tem um filho juiz.

Faz o desjejum, almoça e janta Direito. E em um eventual encontro aprendeu, além dos elementos que envolvem o direito discutido, uma coisa maior.

A sociedade têm desenvolvido consciência social e ecológica. Isso é maior do que aquele simples “de cada ser humano tenho algo a aprender”. Porque as pessoas estão mais atentas e engajadas.

A aula foi ministrada no dia 5 de maio, dia do meio ambiente.

MULTIPLICIDADE

Já esteve em uma situação como no pavimento superior da Estação da Sé do Metrô, lá em cima, e por alguns segundos observar as pessoas passando, agitadas e anônimas, em sua lida, para todos os lados, à frente, pelos lados e embaixo?

Não apenas observá-las, mas senti-las, e ter a sensação de que cada uma delas guarda uma vida, que poderia gerar histórias que preencheriam as estantes de uma biblioteca?

Cada um tem a ensinar, a aprender, a crescer e mesmo a perder-se.

Se uma vida é perdida, não é apenas um, mas um infinito. Dessa forma, cria-se um vácuo, além do vácuo que é o não saber.

Tanto que se poderia ver, aprender, apreender, e não conseguimos. É uma leitura do mundo diferente da nossa.

Costumo comparar as perspectivas pessoais com um globo, desses usados em salões de baile, multifacetado.

Cada pequeno pedaço desvendaria uma visão do mundo, e jamais abarcaremos todas as múltiplas dimensões.

Mas a teoria do globo pode ser aplicada a infinitas possibilidades, porque a vida não é feita de um único fato, mas fatos multiplicados que se encaixam uns aos outros, sequencialmente. Além das perspectivas, experiências.

Então olhamos a multidão-massa e podemos perceber que naquele conjunto de não-identidades existem individualidades. Pessoas em seus mais variados momentos, vivendo, pulsando.

Cada uma delas, um universo, inalcançável.

A multiplicidade é vida.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

PROFESSORA ROSA: NÃO ZERO, MAS MEIO

No quinto ano estamos todos ansiosos: temos a entrega e a apresentação da monografia, estágios, conclusão das horas de atividades complementares, os cursos de ética e, por fim, as provas e os trabalhos de graduação. Sem esquecer aqueles que trabalham em tempo integral para subvencionar o próprio pão (assim como o aluguel, as mensalidades da faculdade, as roupas e tudo o mais) e precisam conciliar o seu tempo com as tarefas elencadas, todas obrigatórias.

A professora Rosa Pelicani, advogada, mãe orgulhosa de um filho que foi excelente aluno, atualmente magistrado, é professora de processo civil. Notável professora, ministra suas aulas com método, de forma didática e eficiente. No entanto, é também conhecida pelo rigor com que aplica as suas provas.

Outro dia, durante a aula, uma vez que estivéssemos adiantados em relação às outras turmas, nossa professora abriu um espaço para o diálogo.

domingo, 25 de maio de 2008

NEI FREDERICO CANO MARTINS: A ÚLTIMA GRANDE HOMENAGEM

No sábado, dia 10 de maio de 2008, assisti a mais um Encontro da nossa faculdade sobre o Direito do Trabalho.

Sexto evento do gênero, abarcou duas palestras. A primeira teve por tema a atualidade dos princípios da seguridade social; a segunda abordou os tratados internacionais e as convenções da OIT.

Em dado momento, minha amiga Renata observa que todos os componentes da mesa eram juízes. Juízes ou desembargadores.

Verifiquei, passando os olhos por todos os participantes, que a afirmativa estava correta: com exceção de nosso diretor, o professor decano e renomado advogado, Dr. Pimenta, todos os outros eram juízes.

O primeiro palestrante da tarde foi o Dr. Marcus Orione Gonçalves Correia. Dono de vasto currículo, é bastante apenas a citação de sua livre-docência pela Faculdade de Direito da USP e do seu trabalho como docente na graduação e pós-graduação da mesma faculdade.

Antes do eminente convidado iniciar sua fala, agradeceu à mesa e dirigiu-se, específica e especialmente ao nosso professor Nei. Disse que este era um herói, reconhecido pela classe dos magistrados.

Afirmou que o Direito tem uma tendência sazonal, por uma década pendendo na defesa do devedor; na década seguinte, inclina-se para a proteção do credor. Concluiu afirmando que o nosso professor, enquanto juiz do trabalho, lutou contra a maré, sozinho, em uma década em que os direitos dos trabalhadores eram relativizados, e que graças ao trabalho de homens como ele, todos temos hoje muito a agradecer. Empertigou-se e prestou a reverência com o próprio corpo, braços estendidos em direção ao nosso professor.

Terminada a saudação, asseverou que, prestadas as homenagens à casa, a quem devia, poderia então começar a falar.

Foi um dos quadros mais marcantes que vi em minha vida, que levarei como recordação como momento inesquecível.

Em nada o ato de respeito diminui a figura do nobre palestrante; antes, ao contrário, mais o enobrece e dignifica. O ato prestou-se, também, a que tomássemos, todos os presentes, nota de que a figura que temos ao lado, tão carinhosa, humilde e prestativa, é um grande homem que não se arvora nos louros e homenagens recebidos para sobrepujar-se, acima e sobre os que soletram as primeiras letras do Direito ou os seus companheiros na docência.

O quadro ficou. Tomei minhas notas, publiquei-as.

Na sexta-feira seguinte, ao chegar à faculdade, os portões estavam trancados. Um cartaz divulgava o falecimento de nosso professor.

Não fui sua aluna, posto que estudo à noite, e ele lecionava no período diurno. Não diretamente. Conheci-o participando de nossas semanas jurídicas, em que ele sempre se apresentou. Era uma figura inigualável, ímpar. Poeta, compositor, cantava e tocava em nossos eventos. O clima tornava-se de festa, e o auditório o acompanhava, em êxtase. Uma catarse coletiva.

Contatos mais tive quando surgiram dúvidas. Com a delicadeza de um amigo, retirava as nuvens. É significativo mencionar que foi o seu livro, criado em parceria com o nosso também professor Marcelo Mauad, que orientou nossas aulas de Direito do Trabalho.

Foi um professor também amado e respeitado pelos outros mestres. A humildade e a amizade sincera com que se dirigia aos colegas fizeram dele pessoa grata onde estivesse. Freqüentando a sala dos professores, jamais o vi deixar de cumprimentar, com delicadeza e afeto, quem quer que fosse.

À professora Elisabeth, dedicada por excelência, coube noticiar-me sobre o velório, onde tive a felicidade de saber, por sua sobrinha, que aquela figura que eu tinha há pouco como um professor jovial e alegre, teria completado sessenta e três anos na semana que seguiu o evento e no ano passado recebera uma comenda do Tribunal do Trabalho.

Ontem, dia 21 de maio, a Renata descreveu uma cena que a chocou. Chegando à faculdade, na mesma sexta-feira em que anunciada a morte de nosso mestre, reparou em rapaz, postado à frente do cartaz. Lendo o aviso, fez-se branco. Percebia-se a sua emoção: estava, claramente, gelado, transtornado. Arfava. Naturalmente, emocionara-se ao saber da notícia.

Mas a decepção não tardou. Dirigiu-se a ela, desconsolado: “Eu tinha que entregar este livro na biblioteca, hoje!”. E foi-se, com o livro na mão.

Atribuo a atitude desrespeitosa não apenas ao descaso, mas aos princípios que têm regido nossa juventude. Mesmo que não fosse seu aluno e que não tivesse a dimensão de nossa perda, poderia ao menos revelar alguma curiosidade sobre a figura pela qual a faculdade revelava o seu pesar.

O professor Nei foi-se. Nunca mais o veremos em nossos eventos, que tornar-se-ão menores. Perdemos em alegria e encanto. Ficará a honra de termos abrigado um grande homem. Ainda que nem todos tenham a qualidade de poder avaliar as presenças que os circundam, todos os dias. Ainda que nem todos tenham a felicidade de ter participado de um evento que nos proporcionasse captar a dimensão de almas guerreiras e generosas.

Ao fim, registro uma fala de nosso diretor, o Dr. Pimenta, sempre repetida, assim como também proferida neste último encontro: “Se um dia nos depararmos com o confronto entre o Direito e a Justiça, lutemos pela realização da Justiça”.

Tenho muito a agradecer ao nosso nobre palestrante, Marcus Orione, que proporcionou a última grande homenagem a um homem simples e digno e à professora Elisabeth, que tanto respeito e admiro.

Viveu simplesmente e amava o que fazia. Recebeu as honrarias em vida, o que na verdade é o que importa. É igualmente relevante que, tendo sido um lutador e recebido mostras de respeito de grandes homens, não tenha feito delas motivo para sobrelevar-se, acintosamente, ante os demais. Descanse em paz, meu professor Nei Frederico Cano Martins.

domingo, 18 de maio de 2008

DEFESA E CONSERVAÇÃO

Certa feita, na aula de Direito Internacional, nosso professor Rui Décio precisou exemplificar o direito de defesa e conservação dos Estados.

Perguntou à classe com qual direito se parece. Não obteve resposta. Não por outro motivo, mas nossa classe não é muito receptiva às perguntas dos professores.

Toma então o professor a iniciativa de provocar, fisicamente, o João, nosso colega, para que este responda. Uma investida leve.

- Ora, João! Você nem se mexe! Legítima defesa!

O professor diz que não provocaria nosso outro colega, na ponta da classe, porque está armado. De fato, tem ele andado com o auxílio de duas muletas, porque foi vítima de um acidente automobilístico.

- Se eu o provocasse, me daria uma muletada na cabeça.

Pergunta, então, o professor: alguém usa arma, aqui? Todos os olhares da classe dirigem-se ao João. Quieto, João não responde.

Ante o olhar atônito do professor, alguém esclarece:

- Ele é policial.

O professor:

- Você? Deus! Amanhã, notícia de jornal: “professor é baleado por provocar policial”.
O João, afinal, responde:

- Não. Só a uso em legítima defesa.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

COMMENT ALLEZ-VOUS?

Quando estudante de Arquitetura, na Faculdade Mackenzie, nós, alunos, víamos nossos professores, corriqueiramente, conversando em inglês. Em especial os professores de projeto tinham esse costume. Talvez porque viajassem em conjunto e vissem no colóquio uma especial prática.
As conversas não teriam o fito de torná-las mais particulares, uma vez que é bastante comum o aluno entender, ao menos, o idioma.
As aulas de desenho, no primeiro semestre do curso, eram ministradas pelo professor Carlão. Ele também lecionava física, para as turmas mais avançadas. Uma figura muito especial. No doutorado, defendeu a tese de que qualquer pessoa era capaz de pintar, como os grandes mestres da pintura.
Nós, seus alunos, reproduzimos telas de artistas consagrados, aprendemos a ler as pinturas e aplicar técnicas do ramo. Guardava as melhores com muito carinho. Além de servirem como material de apoio, que atestava a nossa infinita capacidade, eram igualmente expostas em salões de arte.
Certo dia, sala cheia, repleta de rostos adolescentes, dirige-se a mim, a mais velha da turma:
- Comment allez-vous?
Como deve responder alguém que saiba, mesmo rudimentarmente um idioma, se lhe dirigem a palavra nessa língua? Ora, a resposta era fácil, a primeira coisa que se aprendia quando as escolas nacionais ainda ensinavam o idioma francês. Despejei alegremente:
- Oh la la! C'est magnifique! Parle vous français? Je vais très bien merci, et vous?
O professor olhou-me, estupefato. Com seu corpo enorme, começou a medir o chão da sala, em largas e pesadas passadas, cadenciadas pelo refrão, que repetia em voz alta:
- Et vous, ... et vous, ...
Foi até o final, voltou ao centro e, com os braços abertos, olhando-nos, arrematou:
- Et vous me fodê! Et vous me fodê!
A obscenidade é e deve ser reproduzida no respeito à história, fielmente descrita. Afinal, é o ponto alto, o desabafo de nosso grande – em todos os sentidos – mestre.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

FOI DEUS!

A Renata e mudou-se, com sua família, para um apartamento novo. O apartamento é ótimo, em um local também muito bom. Mas precisava de pintura. Novo, não poderia ficar com cara de velho e sujo. As paredes riscadas não condiziam com o novo ambiente, saudável e arejado.

A família é composta por Lize, a mãe, que é professora, e as duas moças, que trabalham e estudam. Também um rapaz, engenheiro de formação e profissão, que não trocaria uma lâmpada ou mesmo um chuveiro. Nenhum deles tem a menor aptidão para a pintura de paredes.

Correm todos em busca de um pintor: lista telefônica, vizinhos, contatos. Eis que um surge, e logo abandona o serviço. Nova pesquisa. Ao todo, foram dois meses de buscas, sem êxito.

Até que a mãe lembra-se de um pintor, um tal Pavão, que as serviu há cinco anos, na casa antiga. Seu nome estava na agenda velha.

A Renata prontifica-se a ligar. Na dúvida, era melhor não perguntar pelo Pavão: - Bom dia, é da casa do pintor?

Do outro lado, atende uma mulher. Gagueja. Ao final, lembra-se: meu sogro é pintor.

A Renata, nada objetiva: - Desculpe, mas só tenho o apelido, não o nome dele.

A senhora, do outro lado: - É Boi.

Nossa amiga deixa escapar: - Eu tenho escrito aqui Pavão.

Ao ouvir Pavão, a mulher responde: - Pavão? Não conheço nenhum Pavão! Meu sogro é boi. Sempre foi Boi!

A Renata pede, então, para que a interlocutora confirme o número do telefone (é uma saída para pensar). A mulher diz o número, que não confirma o registrado na agenda. Ou seja, havia discado para o número errado. E agora?

O fato é que a Renata se sai muitíssimo bem em situações assim. Decida rápido. Não pensou duas vezes: - Ah, desculpe! Está escrito aqui ao lado, Boi, mentiu. Eu não tinha visto.

O homem, o tal Boi, foi contratado. Um sujeito enorme, do tipo “Á espera de um milagre”. O serviço prestado revelou-se esplêndido, asseverado pelas três mulheres que não sabem pintar uma porta, mas podem avaliar defeitos no serviço que pagam: o menor respingo, uma pequena falha.

Ao final do trabalho, o homem pergunta à Lize, mãe da Renata: - Quem me indicou para a senhora?

Ao que ela, sem titubear, afirma: - Foi Deus, tenho a certeza.

O homem, sem saber a verdade, comenta: - Eu entrego cartões para muita gente. Deve ser isso.

Mal sabe ele.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

VÔO ERRADO

Conto o milagre, mas omito o santo, por óbvio.

Quem nos relatou a história disse que um caso desses jamais deveria ser contado pelo protagonista, sequer aos amigos. Se recordado, apenas no banheiro, sozinho, com a luz apagada. Como a história fez-se pública, lá vai ela.

Nosso amigo tinha o destino de ir a Rio Branco, apresentar uma palestra. Para a viagem, precisou embarcar em São Paulo com destino a Brasília, e de lá tomar uma conexão a Rio Branco.

A viagem de São Paulo a Brasília transcorreu normalmente.

Os vôos estavam sofrendo já alguns atrasos, que incomodavam sobremaneira os passageiros.

Chegando lá, foi noticiado que se dirigissem às plataformas de embarque de seus vôos: para tal lugar, plataforma um, para qual lugar, plataforma dois, e assim por diante. Nosso amigo, expedito, embarcou.

Passados alguns instantes, um sujeito o aborda:

- Esse lugar é meu!

- Não, não é! Eu tenho o bilhete, a poltrona é minha.

Quase iniciam uma discussão quando a comissária de bordo, intercedendo, resolve a questão ao sugerir ao novo passageiro outro assento, vago.

Acomodados, o comandante do vôo pede que apertem os cintos, deseja a todos uma boa viagem e anuncia que vai taxiar.

Com o avião em movimento, novo aviso, para desejar novamente uma boa viagem com destino a São Paulo.

São Paulo?! Nosso amigo, no final do corredor, tem um ataque.

- Parem! Parem o avião! Eu vou descer!

A comissária aproxima-se e ele mostra sua passagem. O seu destino é Rio Branco.

Pacientemente, como devem agir as comissárias, informa a moça ao comandante a situação: o avião terá que parar.

O avião pára.

Pelo alto falante, novo aviso:

- Informamos aos senhores passageiros que o vôo sofrerá novo atraso. Aguardaremos o desembarque de um nosso passageiro, que tomou o avião errado.

O nosso amigo, lá no fundo do corredor, encolhe-se: sumir, sumir. E agora?

O jeito foi tomar suas coisas e caminhar o longo corredor, sob as vaias de todos os demais passageiros.

Quando contou a história, disse que processaria a companhia aérea, porque teria ela errado ao informar o número do vôo.

- De todos os passageiros que embarcaram, quantos tomaram o vôo errado?

- Só eu.

Disse cobras e lagartos da companhia até hoje, mas não a processou.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Falando em discrição

Por que as pessoas revelam os segredos que lhes foram confiados?

Por primeiro, pensemos na questão do confiar segredos. Por que os confiamos? Para dividir um peso, para nos tornarmos cúmplices, para mostrarmos a nós mesmos que sabemos avaliar as pessoas.

No entanto, poucas delas são confiáveis, a ponto de guardá-los.

Quando de posse de uma informação, têm como que um trunfo, negociável. É algo que o outro não tem. O revelar o segredo é a cumplicidade do confiado com uma terceira pessoa.

Daí, reproduzo o Poema da Discrição, do qual desconheço a autoria, mas o entendo da maior utilidade, para o resguardo de nossa intimidade:



Não te abras com teu amigo

Que ele um outro amigo tem.

E o amigo do teu amigo

Possui amigos também...

(Mário Quintana, Espelho Mágico)

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Eu, pássaro pintado: a alegoria de Kosinski

O menino é enviado
Para safar-se dos alemães.
Perde-se.
Vagueia.
Olhos negros.
Cabelos negros.
Terra de seres alvos:
Pássaro pintado.

O pássaro retirado aos seus,
Pintado, e novamente em liberdade.
Perseguido e bicado.
Até a morte.
"Sou um dos seus!"
É.
Talvez.
Não parece.
Não o reconhecem.

Kosinski narra.
Viveu, conta a história.
Denso.
Sua história.
Nossa história.
Sou o menino.
Sou o pássaro pintado.
Somos.


Jerzy Kosinski narra de forma enxuta, mas marcante.
A alegoria, quiçá encarnada, remete-nos aos eventos mais diversos.
A Polônia de 39 existe, ainda hoje, em toda a parte. Está no Brasil, em cada um de nós. Eles apenas levaram às últimas conseqüências o que nós todos chamamos de uma vida normal.
A normalidade admite a não-aceitação dos contrastes. Admite o mensurar o outro pela observação da cor das penas, ainda que sejam, originalmente, iguais às nossas.
Não é uma alusão à cor da pele, mas uma referência mais ampla, que nos separa em grupos fechados, em equilíbrio. Equilíbrio sutil.
Nesse contexto, todos, em alguma ocasião, somos o pássaro pintado.
Não apenas o outro, mas o diferente, o intruso. Aquele que, de alguma forma, ameaça a igualdade de forças estabelecida.
É o mote que nos separa.

Limitar-me ao meu mundo e aos meus instrumentos. Trabalhar o pensamento e a palavra. Transformar-me, a mim. Tarefa já árdua.

sábado, 19 de janeiro de 2008

A Débora e o guarda-chuva

Certa feita, a professora Débora, na pretensão de exemplificar o direito de propriedade, relembrou uma história vivida por ela e sua avó.

Ela era menininha, e sua avó a levava à escola, todas as manhãs.

Chovia, e ambas abrigavam-se em um mesmo guarda-chuva. De repente, um vento fustiga as caminhantes e vira o aparelho.

A avozinha, nervosa, tenta colocá-lo a prumo: uma, duas, três vezes.
Ensopadas, impotentes diante do aguaceiro, têm apenas o guarda-chuva desmantelado a servir de testemunha. Testemunha muda, imbecil, imprestável.

Não pensando duas vezes, a avó bate violentamente o guarda-chuva contra o primeiro poste, várias e várias vezes:

- Droga de guarda-chuva! Inútil! - Bradava a avozinha, sem norte. Choveram os impropérios, que lhe desafogaram o peito.

Molhadas, sim. Encharcadas. Porém, vingadas.

A moral da história está representada na violência contra o guarda-chuva: era propriedade da vovó, e a sua destruição - diga-se, total - não causou mal algum a ninguém. Assim, se o inútil foi detonado, a quem importou?

No caso, não há função social de nada, não há obrigação nenhuma, não há direito de ninguém, a não ser o da dona do guarda-chuva.

Exemplo dado, gravado, passado adiante.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

PAPAI NOEL - CRÔNICAS DE UMA ESTAGIÁRIA DE DIREITO - NO POUPATEMPO

A Lígia anunciou o Papai Noel. Era idêntico aos desenhos, às fotografias de Natal: a altura, as bochechas, o porte. Tinha a barba branca e os olhos grandes. Tudo idêntico, com um senão: era negro. Negro, alto, pobre, o nosso Papai Noel.

Procurava informação quanto a algum benefício do governo. Morando em casa cedida de favor, vivia da assistência prestada pela igreja.

Pesquiso na internet a respeito do LOAS. LOAS é a abreviatura da Lei nº 8.742, conhecida como a Lei Orgânica da Assistência Social. Um benefício do governo, dirigida aos carentes e sem recursos para sua própria subsistência. Idosos sem recursos e portadores de deficiência física incapacitada para a vida independente e para o trabalho, que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção e nem de tê-la provida por sua família, têm garantido um salário mínimo por mês, durante o resto de suas vidas. Se o Papai Noel preenchesse os requisitos, poderia contar com um salário mínimo por mês, o que no seu caso já seria de grande valia.

Encontro o site do Planalto, leio: setenta anos. Pesquiso outros sites. Indago aos meus colegas, e bingo! O Estatuto do Idoso alterou a concessão dos benefícios do LOAS, reduzindo a idade de concessão para sessenta e cinco anos.

Quantos anos o senhor tem? Sessenta e quatro. Acabou de completar. Papai Noel não se encaixa. Existe previsão para reduzir a idade para a aquisição do benefício para sessenta anos, até dois mil e oito. Dois mil e oito está relativamente distante.

Muito, para quem precisa já.

Perguntei-lhe se não tinha família, filhos. Teve. Sobrou-lhe um filho, morador no interior do Paraná. Este é mecânico e pobre. Com família e poucos recursos, assim envia, quando pode, uns parcos cem reais ao pai. Entretanto, pouco pode.

O caso é triste, como o são muitos casos trazidos pelas pessoas que nos procuram. Digo-lhe que possui duas alternativas: ou espera completar os sessenta e cinco anos, ou ingressa com uma Ação de Alimentos em face do filho. Explico do seu direito a receber uma prestação alimentar. Senão o filho, quem o poderia? Talvez um irmão? A hipótese do recebimento de alimentos de filho ou parente é descartada de pronto.

Resta esperar.

Papai Noel não pretende trabalho empregado. Já trabalhou. É alto e forte. Há seis anos está sem trabalho fixo, desde um afastamento, por doença. Às vezes, lhe aparece um “bico”. Vive como Deus lhe concede viver. E viver é tudo quanto pretende, até quando mais não possa.

PANELA DE PRESSÃO - CRÔNICAS DE UMA ESTAGIÁRIA DE DIREITO - NO POUPATEMPO

Casa própria, renda per capta no limite para o atendimento. Boa aparência, nível superior. Cinqüenta e poucos anos. Funcionária pública.

- O que a trouxe aqui?

Despeja montes de apontamentos e cópias de e-mails enviados. Tinha ela sede de falar, colocar para fora. E falava. Tanto falava que me aturdiu.

Não dizia a que vinha, mas contava a história toda, detalhe a detalhe.

- Dia esse eu comprei uma panela de pressão. A mais cara da loja. Aqui está a nota.

Prova com a Leonor - COLEGAS, AMIGOS E PROFESSORES

Ontem tivemos a última prova de Processo Penal deste ano. A professora que nos acompanhou foi a Leonor, de Direito de Família.
Ontem tivemos a última prova de Processo Penal deste ano. A professora que nos acompanhou foi a Leonor, de Direito de Família.

Das vezes em que levantei a cabeça e a olhei, sorria.

Ao final, depois da entrega da prova, ela comentou comigo que é interessantíssimo estar lá na frente, enquanto fazemos a prova. Deveriam filmar, porque é muito engraçado.

Eu rio o tempo todo. Disse que, se depender do meu humor, devo ter ido muito bem.
Comentou também de outros colegas. O Márcio, por exemplo, resmunga durante toda a prova. Outros têm os olhos espichados para a prova dos colegas.

As pessoas desligam-se, e agem instintivamente, em atitudes cômicas.

Eu não sabia que ria, durante as provas.

Deve ser muito chato para o colega ao lado, que precisa de pontos, olhar para mim.
“A desgraçada, além de tudo, fica rindo!”

Ocorre que acho engraçado quando, se de três assertivas, sei duas, e na escolha das opções-teste, sobram duas que enquadram as possibilidades permitidas pelas afirmativas.

Penso que posso recorrer a um atalho, mas o professor me pegou, de novo.

Então, tenho que ler novamente, com mais atenção, a última proposição.

Pode não ser engraçado para muitos, talvez a maioria.

Pode até nem ser engraçado.

Poderia pensar que é um azar, porque não pude adivinhar a resposta, como também poderia pensar que o professor foi esperto, antevendo a minha dúvida.

Tudo depende.

O velhinho do ônibus - CRÔNICAS DE UMA ESTAGIÁRIA DE DIREITO - NO POUPATEMPO

Eu ia do Poupatempo ao Fórum. Na minha frente, um senhor, bastante idoso, pequeno e franzino, tentou subir no ônibus.

O motorista interpelou-o: cadê a carteira?

O velhinho dise que tinha a identidade, afirmou ter mais de sessenta e cinco anos.

Não precisaria do documento para provar a idade. Bastaria a sua figura.

O condutor cresce, o velhinho diminui ainda mais. Sob impropérios, é expulso.

O velhinho não subiu, e eu carreguei a lembrança da professora Márcia, do primeiro ano: “Para se conhecer uma pessoa, basta que se dê um pouco de poder a ela. Pode ser o porteiro da boate, qualquer um. Um pouco de poder...”

No dia seguinte, no Poupatempo, lá estava o nosso velhinho. Querendo saber dos seus direitos. Justamente sobre a gratuidade do transporte coletivo.

Eu o atendi e esclareci suas dúvidas. Alargamos a conversa, também, sobre outros tópicos.

De certa forma, tentei compensar um pouco a humilhação pela qual passou.

No entanto, o velhinho saiu do posto miúdo como o conhecera, e assim também tão velhinho e pequeno. De voz fraca e semblante doce. Sujeito a outros valentões que detenham um pouco de poder.

Irritadinho - CRÔNICAS DE UMA ESTAGIÁRIA DE DIREITO - NO POUPATEMPO

A Lígia estava na triagem. Um rapaz, com até boa figura, é o próximo.

Estava irritado, e despejava sua irritação sobre nossa amiga.

Ela, com toda a paciência, gentilíssima, tentou cortar caminho (porque depois, no atendimento, nós proporíamos a ele), mencionando o Procon.

- O quê!!!??? Procon! Você acha que eu vou madrugar para ir ao Procon? E quase voa no pescoço dela.

O caso vem até minhas mãos. Levo-o ao meu box.

Detalhe: a-do-ro os irritadinhos. Olho-no-olho, começo a fazer perguntas. Explico. A coisa vai por um caminho em que posso enunciar as alternativas que a pessoa tem. Se preferir assim, tal é o resultado. Se assado ...

Ao final, mostrei-lhe a vantagem de ir primeiro ao Procon. Pularia a audiência de conciliação do Juizado Especial, passando diretamente à segunda audiência. Seria mais rápido. Mas ele tinha a outra alternativa.

De toda forma, faríamos a petição, para o ingresso da ação. Se passasse primeiro no Procon, era preciso apenas retornar, sem precisar pegar fila. Em uma semana, a inicial estaria no Judiciário.

Saiu calminho, o rapaz da boa figura.

Lígia, Aline e as toalhas - CRÔNICAS DE UMA ESTAGIÁRIA DE DIREITO - NO POUPATEMPO

A Lígia prestava atendimento a uma moça.

Cabe um parêntesis: nossa amiga Lígia é uma garota inteligente, linda, linda mesmo, educada e sensibilíssima.

Vai daí que logo comoveu-se com a história sofrida. A Aline tentou ajudá-la, mas nenhuma das duas conseguiu enxergar uma resposta eficaz para o problema.

Para encontrar o caminho que não vislumbra, dirige-se a Aline, então, à professora. O Direito não apresentava respostas que lhe pudessem satisfazer. Retornam ao box, em busca de novas informações.

Esse vai-e-vem repete-se inúmeras vezes. As meninas, preocupadas, tentando resolver o problema, e a professora recusando qualquer possibilidade de solucionar o problema pelas vias judiciais.

Ao final, nossa amiga despede-se da moça, com lágrimas nos olhos.

No outro dia, a assistida retorna ao nosso posto, com um embrulho. Fizera duas toalhas, bordadas, muito bonitas. Uma para a Lígia, outra para a Aline. Por gratidão, pelo esforço e compaixão com que a atenderam.

Às vezes, mesmo quando nossa ajuda não se presta para mudar o mundo, pode, ao menos, fazer com que alguém se sinta importante. Importante ao ponto de comovermo-nos com a sua situação e buscarmos caminhos para aliviar o seu sofrimento.

O cachorro do vizinho



Primeira noite.
O cachorro do vizinho
Late, gane, uiva,
Dentro da noite insone.
As paredes, a janela
Não são barreiras
Para deter seus lamentos.
Segunda noite.
O cachorro do vizinho
Ainda sofre com a mudança.
Também sofro.
Eu, zumbi.

Conhece-te a ti mesmo

Até mesmo o mais celerado dentre os criminosos tem mãe, tem uma família. Por vezes, filhos.
Ama.
Se procurarmos, no fundo encontraremos a sua essência de ser humano.
Assim também se dá com aqueles diferentes de nós, a quem execramos.
No âmago, somos todos iguais.
A maior diferença reside naquilo que criamos para nós mesmos, como desculpa para nossos atos.
Sentimos toda a série de perversões humanas.
Porém, somos honestos conosco ou as camuflamos?
Se descobrimos em nós as nossas falhas, estamos a um passo de resolvê-las. De nos transformarmos em pessoas melhores.
Se temos uma atitude hipócrita, mentindo para nós mesmos, bem ...
Tanta coisa pode ser.
Sabemos reconhecer as falhas alheias. Viramos as páginas e as apontamos.
E as nossas?
Raciocinar neste caminho levará, inevitavelmente, ao lema imortalizado em Sócrates: "conhece-te a ti mesmo".

O Natal vem chegando. O ano-novo, também.

Para cristãos e não-cristãos, é uma data significativa, uma vez que somos bombardeados, todos os dias, com propagandas, planos de férias e festas, com o colorido das ruas e as luzes que comemoram a época.

Não me importo se a época é Natal. O que gostaria mesmo é que fosse Natal e ano-novo todos os dias, em nossos corações.

Que nos ressuscitássemos, como a fênix, em nossas esperanças, premiando-nos com o vigor, a luz e a certeza de um novo dia.

Todos os dias.

Que nos déssemos, sem o sabor de quem dá.

Que nos erguêssemos, a cada queda.

Que nos olhássemos nos olhos e pudéssemos dizer, a uns e outros: eu te amo.

Todos os dias.

Esse é o meu Natal.

É o Natal de paz e esperança que espero, para todos nós, no ano-novo.

Todos os dias.

Brincadeira de criança

De todo o coração, desejo-lhe o melhor Natal do mundo.
Mas a época, além de nos convidar a comemorar, presta-se, também, a que reflitamos.
A reportagem abaixo, de um realismo atroz, apresenta o ensejo a que pensemos e, afinal, tomemos uma atitude.
Convivemos com vários países dentro de um mesmo Brasil.
Essa é a infância de muitos brasileiros, que têm as suas fadas e bruxas, as suas casinhas, diferentes das que conhecemos.
Esse mundo existe, e está ao nosso lado.
As crianças retratadas na reportagem do Correio Braziliense desenvolvem-se em um mundo cruel, reproduzindo-o em suas fantasias infantis.
Seja por medo, por pena, por solidariedade, ou o nome que se dê ao sentimento que o motive, creio que devamos sair da inércia.
É o nosso país, são nossos irmãos, nossas crianças.
Que um dia serão adultas.
De modo que seus filhos fantasiarão, então, sobre os modelos que vivenciarão, num círculo vicioso.

Fonte: Jornal de Debates
13 11h28

Os brinquedos dos anjos
Os repórteres Ana Beatriz Magno e José Varella, do “Correio Braziliense”, investigaram durante 21 dias como brincam as crianças em favelas do Rio de Janeiro. O resultado é de arrepiar os cabelos.
Autor: Vicente Dianezi Filho - Participa desde: 23/12/2006

Barrados no baile

Esta sentença foi enviada a nós, alunos do 4º C, pela professora Valéria, no intuito de que refletíssemos a respeito.

Encerra ela uma questão de conceitos, orgulhos feridos e muita futilidade.

Ao invés de relatar a história, deixo-a como recebi, narrada pelo juiz que recebeu os autos, e a impressão que teve ele ao considerar o litígio, se é que houve.

Assim, cada um tire a sua conclusão, após também pensar um pouco a respeito.

Suprimi os nomes do autor e do réu. Ainda que públicos e de fácil acesso, penso que seja de bom tom deixá-los no anonimato.

Autos n° 075.99.009820-0/0000
Ação: Reparação de Danos/Ordinário

Fulana, representada por sua mãe Sicrana Silva, ingressou com Ação de Indenização por Danos Morais contra Clube x, todos qualificados. Aduz na inicial ter sido barrada na entrada de um baile, quando sofreu danos morais. Pleiteia uma indenização. Deu à causa o valor de R$ 5.440,00. Juntou documentos. Recebida a inicial, foi registrada e autuada.

Quem disse que a vida é justa?

Márcia Antunes, nossa professora de Iniciação à Teoria do Direito, repetia sempre: "quem disse que a vida é justa?"

Na verdade, as pessoas tomam as outras por si mesmas. O homem como medida do próprio homem.

Dessa forma, os ímpios julgam a humanidade ímpia, e agem sem peso na consciência.

Os inocentes acreditam os outros inocentes.

Os mais corajosos, entretanto, conhecem as perversões de sua própria alma, e trabalham para domesticá-las.

Sócrates e Paulo aludem a elas. Do primeiro, chega-nos o lema "conhece-te a ti mesmo". Do segundo encontramos a alusão ao espinho que o feria, que uns tantos entendem ser puramente físico.

Paulo foi um apóstolo genuinamente diferente dos demais. Também sua vida o diferenciou não apenas dos irmãos em credo, mas de quantos com ele conviveram, a seu tempo.

Dessarte, existe a possibilidade de referir-se ele a espinhos, quando remetia-se a experiências do espírito, assim como o próprio mestre aludia a parábolas.

Entretanto, poucos, muito poucos, são os homens que lutam por conhecer as próprias imperfeições.

Menos ainda os que têm em seu caráter força e coragem para tentar corrigi-las.

Parabéns - para quem?

Dia 11 de dezembro completei 47 anos.
Quando eu era criança, alguém de 25 era considerado velho.
Segundo meu pai, uma mulher de vinte e cinco anos, se não fosse casada, não seria boa coisa. Ou porque teria "se perdido" ou porque ninguém a quisesse.
Era uma coisa bastante hipócrita dizer-se que a mulher precisava de um homem, casado com ela, para ser considerada honesta.
Mas era outra a realidade.
Trabalhar, no tempo da minha mãe, somente com a autorização expressa do marido. E ele teria direito, inclusive, a receber o salário dela.
Minha avó foi uma exceção. Um maravilhoso exemplo de dignidade, trabalho e dedicação. Para mim e muitas gerações.
Os tempos mudaram, ou mudaram as pessoas e os conceitos, através dos tempos.
Alguém de 30 anos era velho, quando eu ainda tinha 20 anos.
Hoje, com quase cinqüenta anos, não sou jovem, mas também não sou velha, assim como a geração de minha idade.
Temos mais saúde, cuidamos da aparência e do intelecto. Estudamos, trabalhamos, somos pessoas ativas.
Senhores e senhoras de 50, 60 anos, são mais jovens e atraentes que muita garotada de antigamente.
Os cônjuges ou companheiros são mais amigos, cúmplices, um do outro. Não existe mais a tal subordinação.
Respeito é outra coisa, que não implica em obediência.
No ano que agora inicia concluo a graduação em Direito. Com notas muito boas, até agora, e sem "colar" nada. Nadinha mesmo.
Passei em um concurso disputado, há três anos.
Tenho uma família maravilhosa, planos, e me sinto viva.
Será que tenho a comemorar?
Sim, e muito.
Mas não somente eu.
Todos temos.
Os jovens de hoje também permanecerão jovens e ativos por muito mais tempo, e isso é uma conquista incomparável: qualidade de vida.
Não falo da qualidade de vida de índices e estatísticas, mas do sentir-se vivo.
Do poder dirigir sua vida, sonhar e planejar.
Mais, até: executar esses planos.
A experiência de vida conta, afinal. O que aprendeu, o que estudou, o que sentiu, o que viu, o que trabalhou.
E a somatória de tudo isso acaba sendo altamente positiva.
Depois desse balanço, tenho muito a comemorar.
Correção: nós temos.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

De carrões e carrinhos

O marido de uma amiga foi testemunha.

Estacionamento do Shopping Aricanduva. Época de festas.

Um Gol e um Audi procurando vaga. Depois de algumas voltas, aparece uma. Única. O motorista do Gol adianta-se e estaciona seu automóvel.

Refestelado, escarnece do outro condutor:

- O mundo é dos espertos!

Ato contínuo, o Audi afasta-se, em ré. Com a velocidade que consegue obter, choca-se frontalmente com o Gol. Após o choque, retruca:

- O mundo é de quem tem dinheiro!

Moral da história: cada um pense a sua. A mim cabia apenas contá-la. É sabida uma outra história, também verídica e acontecida de forma semelhante, no estacionamento do Shopping Morumbi.

Clarissa e o pôr-do-sol

Relia eu a Clarissa, do Érico Veríssimo. Em determinada passagem, comentei com minha filha que a menina, após o jantar, perguntou qual seria a sobremesa, e a resposta foi “pêssegos em calda”. Clarissa teria retrucado: “Outra vez!”.
A minha menina afirmou que adoraria comer sempre pêssegos em calda.
Não, rebati, se você comesse sempre, odiaria. Porque de tudo nos fartamos. É preciso a diversidade e a falta, para que possamos apreciar o que temos. Se você comesse lasanha todos os dias – ela a-do-ra-va lasanha –, iria enjoar.
Ela concordou e não concordou comigo. Acho que apenas fingiu que sim, para não me contrariar.
O tempo passou.
Quando morei no interior, no alto do morro, tínhamos um horizonte muito extenso. O sol pousava mansamente sobre a represa, transluzindo o céu e as águas em manchas coloridas. Era belíssimo. Era belíssimo todas as tardes. Tantos dias, que deixei de apreciar.
Sabia-o belo, mas não mais subia à varanda, para aguardar o pôr-do-sol.
Passou a ser o belo para mostrar-se aos outros, como um troféu, um prêmio que se tem guardado.
Deixou de ser o suficiente. Eu precisava de mais do que o belo. O belo pôr-do-sol de todas as tardes.
Porque mesmo do bom e do belo se farta, se temos apenas a ele todos os dias.

A loira - NO FÓRUM

Aconteceu em outro cartório, também da área cível.
Balcão cheio. A loira chega. Pede um processo.
O escrevente o entrega, mas não o solta:
- Pode deixar que eu vejo pra você.
Ela reluta:
- Não. Eu mesma olho.
A certa altura, observa, distraidamente, o lado esquerdo.
Todos os olhares estão dirigidos a ela.
Disfarçadamente, posiciona-se voltada para o lado direito.
Ergue o olhar. Olhos cobiçosos devoram-lhe.
Recua dois passos e concentra-se no processo.
Cabe ressaltar que não era uma loirinha, mas A Loira.
Não estava vestida com poucas peças, uma vez que fazia frio aquele dia.
O escrevente, na sua mesa, não trabalhava, à espera de uma oportunidade de ajudar. A oportunidade não veio. Antes disso, a loira sai, e ao sair, todos os olhares a acompanham: os dos estagiários e dos advogados, no balcão, o do escrevente, em sua mesa.
Nunca mais voltou àquele cartório.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Noites de estrelas – NO CAMPO

Vivi anos no interior, no mato, aonde não chegam a água e o asfalto, o correio e o jornal. No alto, bem no alto do morro.

Existem, porém, noites muito claras, iluminadas apenas pela lua e pelas estrelas. Parece coisa de quem exagera ou de poeta. Como é possível?

O fato é que, antes de morar ali, não imaginava que existissem noites assim. Olhando o céu, há tantas estrelas e enormes manchas brancas, que jamais vi quando morava na cidade. É impressionante!

Esse olhar o céu, fantástico, nos acompanha agora, vivendo novamente na cidade.

Sei que todas estão lá, apenas não podemos vê-las. Assim como não as vemos durante o dia.

Milhares e milhares de estrelas, convidando-nos a sonhar. Como em nenhum outro lugar tive a oportunidade de ver.

Límpidas, claras, alumiando o caminho. A noite fazendo-se dia.


Maria da Glória Perez Delgado Sanches
Membro Correspondente da ACLAC – Academia Cabista de Letras, Artes e Ciências de Arraial do Cabo, RJ.

Conheça mais. Faça uma visita blogs disponíveis no perfil: artigos e anotações sobre questões de Direito, português, poemas e crônicas ("causos"): http://www.blogger.com/profile/14087164358419572567
Pergunte, comente, questione, critique.
Terei muito prazer em recebê-lo.

Nova caipira: plantando mandioca - NO CAMPO

Um dia, no pomar, minha sogra me pergunta como se plantava mandioca.

E eu sabia como se plantava mandioca? Penso. Respondo que com pedaços da mandioca.

Resposta errada. Não apenas errada, mas estúpida. Eu, bicho da cidade vivendo recentemente no mato, deveria saber que não se planta raiz. Sinal de que não pensei direito.

Ela ri. Ri às escâncaras. Depois, ensina-me a plantar. O caule apresenta vários nozinhos. Esse caule, cortado em pedaços, é que é plantado. Dos nozinhos nascem os brotos, que se transformam em pés de mandioca.

O caso da mandioca nos acompanhou por anos. Vira e mexe trazia ela o caso da nova caipira que não sabia plantar mandioca.

Há cinco anos, ela faleceu. Foi um amor de sogra: uma mãe. Não só mãe, mas a mãe carinhosa que toda filha gostaria de ter.

Marinheira de primeira viagem - NO CAMPO

Certa vez, tive uma égua chamada Paloma. Prenha, prestes a dar à luz a um potrinho, Paloma deita-se no chão de terra. Nós esperamos.

Saímos, voltamos. Nada acontecera.

Preocupados, perguntamos ao caseiro se seria possível ajudá-la. Não. Se nos intrometêssemos, ela recusaria o filhote.

Mais tempo se passa, e nada do potro nascer.

Afinal, coloca ele a cabecinha para fora, encoberta pela placenta, e permanece nessa posição.

Há um estalo, uma voz que vem do passado, quando minha filha estava para nascer:

- “Mais força, agora, serão ela morre sufocada!”

Percebo que a marinheira de primeira viagem deitara-se em um terreno em declive, com as pernas para a parte mais alta. A topografia não a ajudaria a expelir o filhote. Até pelo contrário: teria ela que fazer um esforço além do natural, para que ele nascesse.

Peço a minha filha que segure a cabeça da Paloma. Faça carinho e converse com ela.

Nega-se, com medo de que a mãe o recuse.

- “Faz o que estou mandando!”

Com as mãos, puxo o potrinho, que escorrega, com facilidade.

Rasgo a placenta para que o potro respire. Começo a puxar, enrolando como uma corda, aquela pele longa e molhada. Enrolo, enrolo, e não acabava mais. Pronto: estou tirando já as tripas dela. Meu Deus, o que fiz!
De toda forma, já estava feito. Saímos, para deixar mãe e filho à vontade.

Em uma hora estava ele em pé. Meio trôpego, mas em pé.

O que enrolei no braço, foi só a placenta mesmo.

O potrinho? Foi cuidado pela mãe, naturalmente.

Essas marinheiras de primeira viagem!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

O rapaz da esfiha

Quando a Renata era adolescente, pelos quatorze anos, teve seu primeiro namoradinho.

Um dia, o garoto a levou ao Habib’s, para comemorar.
Comeram esfihas, naturalmente.

Conversa vai, conversa vem, ele deu-lhe um anel. Anel de compromisso, entre namorados, como é comum, hoje em dia.

Tudo muito bom, muito bonitinho.

Até que ele sorriu: havia “uma esfiha” cobrindo o dente dele.

Visto o sorriso com a “esfiha”, acabou o amor. Ficou marcada a imagem, e ela não podia mais esquecer do sorriso, nem da esfiha, quando olhava para ele. Transformou-se do rapaz bonitinho no rapaz da esfiha.

A história já me foi contada mais de uma vez. Sinal da importância que teve na sua vida.

Daí, que a lição ficou. Para ela e para mim. Talvez não para ele, pobre rapaz, que nunca soube o que fizera de errado, para esfriar um relacionamento tão agradável.

Assim, sempre que como alguma coisa, corro ao espelho verificar se não tenho “uma horta” cobrindo os meus dentes (sou louca por saladas).

sábado, 1 de dezembro de 2007

Não se tome a parte pelo todo

Costuma-se tomar a parte pelo todo.

Como se o veiculado no noticiário pudesse representar a unanimidade. Mas não é assim.

Notícia boa não vende jornal.

Há atos recrimináveis praticados em todos os setores da sociedade.

Os policiais pertencem a uma organização, submetida à rígida disciplina.

Ganham pouco, o que os coloca entre a classe dominada.

Moram lado a lado.

É raríssimo filha de classe média matar seus pais, pela herança.

Quando acontece, o caso repercute na memória das pessoas, por anos a fio.

Pagará ela além do que o que cometeu o mesmo crime, na favela: com a sua imagem.

A polícia paga, com a sua imagem, pelos atos divulgados na mídia, praticados por alguns de seus elementos.

O fato de um caso ser divulgado na imprensa não tem o sentido de regra, mas de exceção, caso contrário, não teria notoriedade.

Não vai a público o regular, o normal, mas aquilo que foge ao padrão aceitável.

Não vai a público a briga de comadre.

Não vai a público o sujeito pobre que baleou o colega de bar.

Não vão a público as misérias da vida cotidiana.

Se os parlamentares do Japão se pegarem de tapa, será notícia no mundo inteiro.

Se um chefe de Estado cometer uma gafe, no dia seguinte, estará estampada em todos os jornais.

Porque o que é interessante veicular são as exceções de quem está em evidência.

Se o sujeito é pobre, não interessa o que lhe passa, a não ser que ele represente a força, o poder.

Ainda que seja ele apenas uma peça.

Peça defeituosa.

Da vírgula - NO FÓRUM

Ontem, precisei intimar as partes de um processo sobre despacho de nosso juiz. Todavia, a decisão era manuscrita, e a incompreensão de duas palavras comprometiam o significado do texto.

Após várias leituras, sem êxito, submeti o texto à Rose, colega de cartório, com vinte anos de exercício.

Não soube dizer ela do teor do despacho.

Em nova tentativa, exibi a decisão à escrevente de sala, nossa colega Miriam. Ela conhece melhor o juiz, a letra do juiz. Com certeza saberia.

Mas também não soube dizer.

Finalmente, mostrei a folha ao nosso diretor, Varella. Ele a leu, não entendeu. Leu novamente.

Virou a folha, e tinha algumas outras palavras rabiscadas no verso. Pronto, o contexto trouxe as palavras que faltavam.

Uma vírgula, longa vírgula, caída da linha superior, transformara-se em um C, ensombrecendo o significado das palavras que não conseguíamos traduzir. Apenas uma vírgula.

Meu hummm espontâneo, de compreensão, trouxe a atenção dos colegas que nos observavam.

- Foi só a vírgula que caiu!

De carros e seguros

A Joice tinha acabado de estacionar o carro, em frente à faculdade.
Chamaram-na: bateram em seu carro.
A motorista tinha seguro, foi educadíssima.
Previsão: quinze dias sem o veículo.
Resultado: quarenta e cinco dias na oficina.
Ela tem necessidade do carro: mora em Moema e atravessa São Paulo para estudar e trabalhar em São Bernardo.
Até hoje a janela precisa de uma mãozinha, para fechar.

Sábado à tarde, o William dirigia-se ao curso ministrado aos escreventes.
Bateram em seu carro.
O motorista tinha seguro, foi educadíssimo.
Previsão: vinte e quatro horas sem o carro.
Chegou a pensar que era piada.
Resultado: no dia seguinte lá estava o seu carro.
Novo.
Na segunda-feira, foi trabalhar de carro.

Qual a diferença?
A seguradora, talvez.
Pode ter sido, também, o plano.
Mas penso que o motivo fundamental seja porque quem bateu no carro dele dirigia uma BMW.

Pequena diferença, que alcança grandes resultados.

E se quem avariar o seu carro for um calhambeque velho, caindo aos pedaços, sem seguro?

Aí, você estará com problemas, se o SEU carro não estiver segurado.

Prova com a Leonor

Ontem tivemos a última prova de Processo Penal deste ano. A professora que nos acompanhou foi a Leonor, de Direito de Família.

Das vezes em que levantei a cabeça e a olhei, sorria.

Ao final, depois da entrega da prova, ela comentou comigo que é interessantíssimo estar lá na frente, enquanto fazemos a prova. Deveriam filmar, porque é muito engraçado.

Eu rio o tempo todo. Disse que, se depender do meu humor, devo ter ido muito bem.
Comentou também de outros colegas. O Márcio, por exemplo, resmunga durante toda a prova. Outros têm os olhos espichados para a prova dos colegas.

As pessoas desligam-se, e agem instintivamente, em atitudes cômicas.

Eu não sabia que ria, durante as provas.

Deve ser muito chato para o colega ao lado, que precisa de pontos, olhar para mim.
“A desgraçada, além de tudo, fica rindo!”

Ocorre que acho engraçado quando, se de três assertivas, sei duas, e na escolha das opções-teste, sobram duas que enquadram as possibilidades permitidas pelas afirmativas.

Penso que posso recorrer a um atalho, mas o professor me pegou, de novo.

Então, tenho que ler novamente, com mais atenção, a última proposição.

Pode não ser engraçado para muitos, talvez a maioria.

Pode até nem ser engraçado.

Poderia pensar que é um azar, porque não pude adivinhar a resposta, como também poderia pensar que o professor foi esperto, antevendo a minha dúvida.

Tudo depende.


Maria da Glória Perez Delgado Sanches
Membro Correspondente da ACLAC – Academia Cabista de Letras, Artes e Ciências de Arraial do Cabo, RJ.

Conheça mais. Faça uma visita blogs disponíveis no perfil: artigos e anotações sobre questões de Direito, português, poemas e crônicas ("causos"): http://www.blogger.com/profile/14087164358419572567
Pergunte, comente, questione, critique.
Terei muito prazer em recebê-lo.

Sotaque português-italiano - NO FÓRUM

O advogado tinha o falar carregado nos erres, como o daqueles repórteres com o sotaque paulistano de antigamente. Dizia-se que éramos os únicos, na língua portuguesa, a falar com o sotaque italiano. A maioria dos paulistanos o perdeu.

Pois ele usava um falar em tonalidade mais alta, clara e profunda, enchendo o cartório da sua personalidade.

Nossos olhares se voltavam para ele e para a estagiária que o atendia.
Chamam-me. Vou ao seu encontro.

O processo é de 1978. Afirma ele que houveram ordens para a expedição de mandados de levantamento.

Solicito que mostre, nos autos, a ordem do juiz. Ótimo.

Então, peço que encontre os comprovantes dos depósitos. Não estes, mas aqueles, porque preciso de tais e tais números, para copiá-los. Fazemo-lo juntos.

Rabisco no verso da capa as folhas das quais preciso: pronto!

Hoje estará pronto, amanhã será assinado e daí retornarão os autos, para a retirada das guias.

- Deixo o telefone, para você me ligar?

- Não, o senhor pode acompanhar o andamento pela Internet. Depois do “aguardando assinatura”, estará aqui.

Sai feliz.

Tornando à minha mesa, a Silvia comenta que ele teria dado trabalho. Não, respondi. Ajudou-me com um processo longo. Eu teria levado mais tempo, procurando os dados, para cumprir a ordem do juiz. Agora, em cinco minutos, faço tudo.

Um falar profundo, a voz de trovão, pode indicar personalidade ou sei lá mais outras características da pessoa. Não sou especialista da área. Deixemos o assunto para quem o queira pesquisar. O fato é que não podemos nos deixar intimidar com isso.

Ele é o interessado. Se bem conduzido o diálogo, os conhecimentos que ele tem dos autos podem me ajudar a fazer o meu serviço, que vão ao encontro do que ele deseja. Se assim for, ambos sairemos ganhando, e mais felizes.

Às vezes, tornamos a coisa complicada, quando não o é.


Maria da Glória Perez Delgado Sanches
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terça-feira, 27 de novembro de 2007

Saia justa

Nosso professor Maximiliano é Promotor de Justiça no fórum de São Bernardo do Campo.
Certa feita, foi procurado por uma mulher, estourando de grávida e desesperada.
Se ele não interviesse, correriam, ela e a criança, risco de vida.
Já estaria na hora da criança nascer, mas o médico não autorizava o parto.
- Como não autorizava?
- Não autorizando. Segundo ele, não teria chegado a hora. Mas eu sei, porque aconteceu a mesma coisa com os meus outros filhos. Eu sou a mãe, tenho certeza.
Lá foi o nosso professor-promotor-de-justiça promover a justiça no caso concreto.
Chegando ao hospital, falou com o médico responsável.
- Se o senhor não autorizar, terá que responder, se acontecer alguma coisa com esta mãe ou com a criança!
Foi feito o parto e tudo correu bem.
Discorrendo sobre o assunto, conosco, colocou uma questão muito delicada, que ocorre quando pensamos fazer o bem, o que entendemos como certo, e as coisas podem não sair de acordo como prevíamos.
- E se não fosse, realmente, o tempo de a criança nascer, como eu me sentiria? Como ficaria a minha consciência?


Maria da Glória Perez Delgado Sanches
Membro Correspondente da ACLAC – Academia Cabista de Letras, Artes e Ciências de Arraial do Cabo, RJ.

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sábado, 10 de novembro de 2007

O VELHO E A PERNA

Esta foi-me contada pelo Silas.

Outro dia, estava ele sentado no ônibus, cansado, meio dormindo, meio acordado.

Mantinha as pernas abertas e estendidas.

No sono ou quase sono, ouve:

- "Se você não tirar a perna daí, vou quebrar ela!"

Era sonho.

DÓLO, NÃO DÔLO!

Entre tantos alunos, lecionando-se por tantos anos, as lembranças confundem-se.

Mas os episódios passados entre professor e aluno ficam marcados.

Nunca esqueço da primeira vez, no primeiro ano, quando lhe fiz uma pergunta, e o professor me corrigiu.

Eu havia dito "dôlo", ao invés de "dólo".

Daí em diante, nunca mais incorri nesse erro.

Ao contrário, quando diziam "dôlo", eu corrigia: dólo!

A resposta ao reparo, invariavelmente, questionava a fonte.

Então, eu remetia-me à primeira correção, inserindo todo o tamanho do professor Helcio para corroborar a minha afirmativa.

ITANHAÉM, MEU PARAÍSO

ITANHAÉM, MEU PARAÍSO
Nada vale um coração tranquilo.

MARQUINHOS, NOSSAS ROSAS ESTÃO AQUI: FICARAM LINDAS!

MARQUINHOS, NOSSAS ROSAS ESTÃO AQUI: FICARAM LINDAS!

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