Um rapaz fez alinhamento no seu...
Situações inusitadas, acontecidas comigo, com amigos e conhecidos, no trabalho, em casa, na rua ou em qualquer lugar. A gente nunca sabe.
VOCÊ ENCONTROU O QUE QUERIA? PESQUISE. Nas guias está a matéria que interessa a você.
TENTE OUTRA VEZ. É só digitar a palavra-chave.
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segunda-feira, 23 de julho de 2012
DE MECÂNICA, FÍSICA E SALTO ALTO
quinta-feira, 19 de julho de 2012
A COBRA NA ESCAROLA
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| imagem: cobra.mgpds.jpg |
Quando iam se servir, ele, que enxerga melhor, percebeu uma folha diferente. Afastou as...
"ESTOU PASSADA!": SOBRE PROVAS (OU A FALTA DE PROVAS) E JUSTIÇA
quinta-feira, 12 de julho de 2012
SOBRE LOUÇAS DE BANHEIRO E A AULA DE ENFERMAGEM
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terça-feira, 10 de julho de 2012
RATINHOS MARINHEIROS: Casos da vida real
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segunda-feira, 9 de julho de 2012
NOVA MEDIDA DE COMBATE À DENGUE
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SÓ COM ÁGUA OXIGENADA
Todos os dias aprendendo alguma coisa.
Hoje fiz um exame de sangue. Rotina.
Claro, deveria estar em jejum. Depois da agulha, me servi da máquina de café expresso: capuchino.
Como era necessário manter o braço esquerdo imóvel por cinco minutos, tentei retirar o copo com...
Hoje fiz um exame de sangue. Rotina.
Claro, deveria estar em jejum. Depois da agulha, me servi da máquina de café expresso: capuchino.
Como era necessário manter o braço esquerdo imóvel por cinco minutos, tentei retirar o copo com...
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quinta-feira, 14 de junho de 2012
NOVO MÉTODO DE PODA DE GRAMA: COELHINHOS (E GALINHAS, PATOS, CAVALOS)
Um camarada: Rocha.
Uma cidade: Itanhaém, no litoral de São Paulo.
Passeando, ele comenta: "Neste terreno, tenho 26 coelhos."
Resposta: "Até a última contagem!"
Animais para a poda de grama não é novidade.
Antigamente, na Europa, cavalos eram usados para...
Uma cidade: Itanhaém, no litoral de São Paulo.
Passeando, ele comenta: "Neste terreno, tenho 26 coelhos."
Resposta: "Até a última contagem!"
Animais para a poda de grama não é novidade.
Antigamente, na Europa, cavalos eram usados para...
VÔO ERRADO
Conto o acontecido. Por óbvio, omito o nome dos personagens.
Quem nos relatou a história disse que um caso desses jamais deveria ser contado pelo protagonista, sequer aos amigos. Se recordado, apenas no banheiro, sozinho, com a luz...
MESTRES DE CADA DIA: O MOTORISTA DE TÁXI
Durante a última aula, nossa professora Rosa fez um pequeno aparte, digno de nota. Novamente é ela a protagonista, dividindo o espaço com uma figura muito especial.
Precisou a professora ir a um enterro, e estava...
Precisou a professora ir a um enterro, e estava...
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SÓ PARA MULHERES
FOR WOMEN
Uma academia feminina. Naturalmente, entram e saem mulheres - malhadas, confiantes.
Rua tal, número tal.
O oficial de justiça pede à recepcionista para entrar.
- Não é possível, meu senhor. Eu tenho ordem de permitir a entrada, apenas, de...
Rua tal, número tal.
O oficial de justiça pede à recepcionista para entrar.
- Não é possível, meu senhor. Eu tenho ordem de permitir a entrada, apenas, de...
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SÃO PAULO-SALVADOR
Para ilustrar o erro na informação...
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MAUAD E O MOTORISTA
Exemplificando como o sono é importante para o organismo e como serviço noturno pode ser perigoso, nosso professor discorreu sobre uma situação pela qual...
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DÉBORA E O GUARDA-CHUVA
Certa feita, a professora Débora, na pretensão de exemplificar o direito de propriedade, relembrou uma história vivida por ela e sua avó.
Ela era menininha, e sua avó a levava à escola, todas as manhãs.
Chovia, e ambas abrigavam-se em um mesmo guarda-chuva. De repente, um vento fustiga as...
Ela era menininha, e sua avó a levava à escola, todas as manhãs.
Chovia, e ambas abrigavam-se em um mesmo guarda-chuva. De repente, um vento fustiga as...
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A LOIRA: NO FÓRUM
Balcão cheio. A loira chega. Pede um processo.
O escrevente o entrega, mas não libera os autos:
- Pode deixar que eu vejo pra...
DE CARROS E SEGUROS: OITO OU OITENTA
A Joice tinha acabado de estacionar o carro, em frente à faculdade.
Chamaram-na: bateram em seu carro.
A motorista tinha seguro, foi educadíssima.
Previsão: quinze dias sem...
Chamaram-na: bateram em seu carro.
A motorista tinha seguro, foi educadíssima.
Previsão: quinze dias sem...
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SAIA JUSTA
Nosso professor Maximiliano é Promotor de Justiça no fórum de São Bernardo do Campo.
Certa feita, foi procurado por uma mulher, estourando de grávida e...
Certa feita, foi procurado por uma mulher, estourando de grávida e...
O VELHO E A PERNA
Esta foi-me contada pelo Silas.
Outro dia, estava ele sentado no ônibus, cansado, meio dormindo, meio acordado.
Mantinha as pernas abertas e estendidas.
No sono ou quase sono, ouve:
- "Se você não tirar a perna daí, vou...
Outro dia, estava ele sentado no ônibus, cansado, meio dormindo, meio acordado.
Mantinha as pernas abertas e estendidas.
No sono ou quase sono, ouve:
- "Se você não tirar a perna daí, vou...
SOTAQUE PORTUGUÊS-ITALIANO. NO FÓRUM
O advogado tinha o falar carregado nos erres, como o daqueles repórteres com o sotaque paulistano de antigamente. Dizia-se que éramos os únicos, na língua portuguesa, a falar com sotaque italiano. A maioria dos...
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"DÓLO", NÃO "DÔLO"!
“DÓLO” X “DÔLO”
Entre tantos alunos, lecionando-se por tantos anos, as lembranças confundem-se.
Mas os episódios passados entre professor e aluno ficam marcados.
Nunca esqueço da primeira vez, no primeiro ano, quando lhe fiz uma pergunta, e o mestre me corrigiu.
Eu havia dito "dôlo", ao invés de...
quarta-feira, 13 de junho de 2012
O RAPAZ DA ESFIHA
Um dia, o garoto a levou ao Habib’s, para comemorar. Comeram esfihas, naturalmente.
Conversa vai, conversa vem, ele deu-lhe...
Conversa vai, conversa vem, ele deu-lhe...
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MARINHEIRA DE PRIMEIRA VIAGEM: PARTO DA PALOMA - NO CAMPO
Certa vez, tive uma égua chamada Paloma. Prenha, prestes a dar à luz a um potrinho, Paloma deita-se no chão de terra. Nós esperamos.
Saímos, voltamos. Nada acontecera.
Preocupados, perguntamos ao caseiro se...
Preocupados, perguntamos ao caseiro se...
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CLARISSA E O PÔR-DO-SOL
Relia eu a Clarissa, do Érico Veríssimo. Em determinada passagem, comentei com minha filha que a menina, após o jantar, perguntou qual seria a sobremesa, e a resposta foi “pêssegos em calda”. Clarissa teria retrucado: “Outra vez!”.
A minha menina afirmou que adoraria comer...
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DE CARRÕES E CARRINHOS
Estacionamento do Shopping Aricanduva. Época de festas.
Um Gol e um Audi procurando vaga. Depois de algumas voltas, aparece uma. Única. O motorista do Gol adianta-se e estaciona seu automóvel.
Refestelado, escarnece do outro condutor:
- O mundo é dos espertos!
Um Gol e um Audi procurando vaga. Depois de algumas voltas, aparece uma. Única. O motorista do Gol adianta-se e estaciona seu automóvel.
Refestelado, escarnece do outro condutor:
- O mundo é dos espertos!
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EU, PÁSSARO PINTADO: A ALEGORIA DE KOSINSKI
O menino é enviado
Para safar-se dos alemães.
Perde-se.
Vagueia.
Olhos negros.
Cabelos negros.
Terra de seres alvos:
Pássaro pintado.
O pássaro retirado aos seus,
Pintado, e novamente em...
Perde-se.
Vagueia.
Olhos negros.
Cabelos negros.
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Pássaro pintado.
O pássaro retirado aos seus,
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FOI DEUS!
A família é composta por Lize, a mãe, que é professora, e as duas moças, que trabalham e estudam. Também um rapaz, engenheiro de formação e profissão, que não trocaria uma lâmpada ou mesmo um chuveiro. Nenhum deles tem a menor aptidão para a pintura de paredes.
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EXEMPLO DE DEFESA E CONSERVAÇÃO
Certa feita, na aula de Direito Internacional, nosso professor Rui Décio precisou exemplificar o direito de defesa e conservação dos Estados.
Perguntou à classe com qual direito se parece. Não obteve resposta. Não por outro motivo, mas nossa classe não é muito receptiva às perguntas dos professores.
Toma então o professor a iniciativa de provocar, fisicamente, o João, nosso colega, para que...
Toma então o professor a iniciativa de provocar, fisicamente, o João, nosso colega, para que...
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PROFESSORA ROSA: NÃO ZERO, MAS MEIO
No quinto ano estamos todos ansiosos: temos a entrega e a apresentação da monografia, estágios, conclusão das horas de atividades complementares, os cursos de ética e, por fim, as provas e os trabalhos de graduação. Sem esquecer aqueles que trabalham em tempo integral para subvencionar o próprio pão...
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COMMENT ALLEZ-VOUS?
Quando estudante de Arquitetura, na Faculdade Mackenzie, nós, alunos, víamos nossos professores, corriqueiramente, conversando em inglês. Em especial os professores de projeto tinham esse ...
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ABRAÃO LINCOLN E A MEIA-IDADE
Na sala de aula, comento com a Renata: “Quando me formar, estarei...
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CRÔNICAS DE UMA ESTAGIÁRIA DE DIREITO: NO POUPATEMPO. PAPAI NOEL
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CRÔNICAS DE UMA ESTAGIÁRIA DE DIREITO: NO POUPATEMPO. PANELA DE PRESSÃO
- O quê a trouxe aqui?
Despeja montes de apontamentos e cópias de...
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CRÔNICAS DE UMA ESTAGIÁRIA DE DIREITO: NO POUPATEMPO. LÍGIA, ALINE E AS TOALHAS
Cabe um parêntesis: nossa amiga Lígia é uma garota inteligente, linda, linda mesmo, educada e sensibilíssima.
Vai daí que logo comoveu-se com a história sofrida. A Aline tentou ajudá-la, mas...
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CRÔNICAS DE UMA ESTAGIÁRIA DE DIREITO: NO POUPATEMPO. IRRITADINHO
A Lígia estava na triagem. Um rapaz, com até boa figura, é o próximo.
Estava irritado, e despejava sua irritação sobre nossa amiga.
Ela, com toda a paciência, gentilíssima, tentou cortar...
Estava irritado, e despejava sua irritação sobre nossa amiga.
Ela, com toda a paciência, gentilíssima, tentou cortar...
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CRÔNICAS DE UMA ESTAGIÁRIA DE DIREITO: NO POUPATEMPO. O VELHINHO DO ÔNIBUS
Ia do Poupatempo ao Fórum. Na minha frente, um senhor, bastante idoso, pequeno e franzino, tentou subir no ônibus.
O motorista interpelou-o: cadê a carteira?
O velhinho disse que tinha a identidade, afirmou ter...
O motorista interpelou-o: cadê a carteira?
O velhinho disse que tinha a identidade, afirmou ter...
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porteiro de boate,
poupatempo,
um pouco,
valentão
"TEM OUTRO JEITO?" E "AS MINHAS MAIS NOVAS AJUDANTES"
- Como podemos ajudá-lo?
- É o seguinte: Eu faço faculdade e morava em uma pensão. Como não tinha lugar para pendurar as minhas roupas, porque estava frio, chovendo, coloquei um varal onde não podia e me mandaram embora. Então quero entrar com uma ação para anular a rescisão do contrato.
- Não havia um espaço para você pendurar as roupas?
- Havia, mas o espaço era insuficiente.
- E os outros pensionistas?
- Dois tinham um varal deles. Os outros, cada um seu espaço e dia para pendurar. Mas a minha roupa não ia secar.
- Onde você pendurou?
- Aqui (mostra um jardim-garagem).
- E sabia que era proibido?
- Está no contrato. Aqui. Exibe o contrato e a cláusula, que é específica: não é permitido estender as roupas em dias ou locais não destinados a tal mister. Punição: a rescisão contratual.
- Sabia da cláusula antes de montar o novo varal?
- Sabia, mas não tinha outro jeito.
- Por que vocês não montaram um esquema? Como penduravam as roupas?
- Esticadas, ora. Tem outro?
A resposta é: tem. Morando em apartamento e espaços mais apertados, acabei desenvolvendo técnicas para otimizar a secagem de roupas:
1. No lado externo, dois cabides com pregadores, desses redondos, para pendurar meias e peças íntimas. Elas secam separadas das outras, mais rapidamente, e é mais fácil, inclusive, recolhê-las. Outro detalhe importante é que esses cabides estendem a capacidade do varal.
2. Penduro as camisas, camisetas e vestidos em cabides (cabides comuns, de guardar roupas); as calças, em cabides próprios (com pegadores laterais, que suportam maior peso). As camisas ficam paralelas umas às outras, com o espaço de aproximadamente dez centímetros entre elas, perpendiculares ao varal e mais próximas à torneira; as calças, penduro-as no lado oposto, porque são peças mais longas. Os cabides não podem ser de madeira (porque soltariam farpas), nem de metal. Com essa técnica, as roupas secam com maior rapidez e exigem menos do ferro de passar.
3. Tão logo as roupas sequem, o ideal é retirá-las do varal, para que o ar circule e possam secar com maior rapidez as peças ainda úmidas.
Já que o tema é a lavagem de roupas, aproveito para recomendar as "mãozinhas". Há muitos anos, um amigo comprara, nos Estados Unidos, certas bolinhas, que auxiliariam na lavagem de roupas. Achei interessante. Entretanto, o tempo passou e o assunto ficou esquecido.
Quando troquei a lavadora, verifiquei que o prometido bem lavar não existia. Apesar de ser uma máquina moderna, com programação para cada tipo de tecido ou roupa, não funcionava a contento (Verifiquei com amigas que as máquinas de lavar delas também lavavam de forma precária, menos bem do que as máquinas antigas).
Fiquei maquinando e um dia, em uma farmácia pequena, vi um pote enorme, com bolinhas coloridas, cheias de verrugas, do tipo que se usa para exercitar as mãos. Ótimo: seriam minhas mãozinhas! Negociei e levei todo o estoque. Mais tivesse, mais levaria, nem que fosse para dar aos amigos - e amigas.
Chegando em casa, as bolas boiaram, por causa do ar. Fiz, então, dois furos, de aproximadamente um centímetro de diâmetro, para que a água circulasse. A partir daí estão lá, sempre prontas, as minhas mais novas ajudantes: mãozinhas coloridas, no formato de bolinhas.
- É o seguinte: Eu faço faculdade e morava em uma pensão. Como não tinha lugar para pendurar as minhas roupas, porque estava frio, chovendo, coloquei um varal onde não podia e me mandaram embora. Então quero entrar com uma ação para anular a rescisão do contrato.
- Não havia um espaço para você pendurar as roupas?
- Havia, mas o espaço era insuficiente.
- E os outros pensionistas?
- Dois tinham um varal deles. Os outros, cada um seu espaço e dia para pendurar. Mas a minha roupa não ia secar.
- Onde você pendurou?
- Aqui (mostra um jardim-garagem).
- E sabia que era proibido?
- Está no contrato. Aqui. Exibe o contrato e a cláusula, que é específica: não é permitido estender as roupas em dias ou locais não destinados a tal mister. Punição: a rescisão contratual.
- Sabia da cláusula antes de montar o novo varal?
- Sabia, mas não tinha outro jeito.
- Por que vocês não montaram um esquema? Como penduravam as roupas?
- Esticadas, ora. Tem outro?
A resposta é: tem. Morando em apartamento e espaços mais apertados, acabei desenvolvendo técnicas para otimizar a secagem de roupas:
1. No lado externo, dois cabides com pregadores, desses redondos, para pendurar meias e peças íntimas. Elas secam separadas das outras, mais rapidamente, e é mais fácil, inclusive, recolhê-las. Outro detalhe importante é que esses cabides estendem a capacidade do varal.
2. Penduro as camisas, camisetas e vestidos em cabides (cabides comuns, de guardar roupas); as calças, em cabides próprios (com pegadores laterais, que suportam maior peso). As camisas ficam paralelas umas às outras, com o espaço de aproximadamente dez centímetros entre elas, perpendiculares ao varal e mais próximas à torneira; as calças, penduro-as no lado oposto, porque são peças mais longas. Os cabides não podem ser de madeira (porque soltariam farpas), nem de metal. Com essa técnica, as roupas secam com maior rapidez e exigem menos do ferro de passar.
3. Tão logo as roupas sequem, o ideal é retirá-las do varal, para que o ar circule e possam secar com maior rapidez as peças ainda úmidas.
Já que o tema é a lavagem de roupas, aproveito para recomendar as "mãozinhas". Há muitos anos, um amigo comprara, nos Estados Unidos, certas bolinhas, que auxiliariam na lavagem de roupas. Achei interessante. Entretanto, o tempo passou e o assunto ficou esquecido.
Quando troquei a lavadora, verifiquei que o prometido bem lavar não existia. Apesar de ser uma máquina moderna, com programação para cada tipo de tecido ou roupa, não funcionava a contento (Verifiquei com amigas que as máquinas de lavar delas também lavavam de forma precária, menos bem do que as máquinas antigas).
Fiquei maquinando e um dia, em uma farmácia pequena, vi um pote enorme, com bolinhas coloridas, cheias de verrugas, do tipo que se usa para exercitar as mãos. Ótimo: seriam minhas mãozinhas! Negociei e levei todo o estoque. Mais tivesse, mais levaria, nem que fosse para dar aos amigos - e amigas.
Chegando em casa, as bolas boiaram, por causa do ar. Fiz, então, dois furos, de aproximadamente um centímetro de diâmetro, para que a água circulasse. A partir daí estão lá, sempre prontas, as minhas mais novas ajudantes: mãozinhas coloridas, no formato de bolinhas.
Maria da Glória Perez
Delgado Sanches
Membro Correspondente da
ACLAC – Academia Cabista de Letras, Artes e Ciências de Arraial do Cabo, RJ.
Conheça mais. Faça uma
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Direito, português, poemas e crônicas ("causos"): http://www.blogger.com/profile/14087164358419572567
Pergunte, comente,
questione, critique.
Terei muito prazer em
recebê-lo.
segunda-feira, 11 de junho de 2012
LINEA OU PRISMA?
Foram à ótica. O marido
ficou no carro, dado que não havia vaga disponível para estacionar. Na volta, a
mulher atravessa a rua e tenta abrir a porta do passageiro. Não abre.
Tenta novamente. O
marido não abre.
Bate no vidro: “Caramba!”.
Então, escuta uma buzina: o marido, com meio corpo para fora, pela janela,
acenava no carro estacionado logo atrás.
Ele: “Não sei como você
foi confundir um Linea com um Prisma.”
Ela: “É tudo sedan.
Prata. À noite, de perfil, mal olhando, não dá para diferenciar.”
Ele: “Não é possível!
Confundir um Linea com um Prisma! Absolute! Se eu contar, ninguém acredita!”
Em casa, contam o
ocorrido para a filha.
A filha: “Ainda se
fosse o Prisma com um Vectra... Bem, eu me lembro de uma vez em que passei por situação
pior: estava no metrô, com o Henrique. Lendo, conversando, tomo do braço dele e
pergunto: ‘Né, Henrique?’”
Continua: “O Henrique
não responde. Olho para o outro lado e lá estava ele. Levanto os olhos e vejo
que o rapaz a quem dava o braço era um japonês alto. Solto, devagar e devagar
vou me distanciando: ‘Er, desculpe!’ Isso é porque o Henrique tem a mania de
mudar de lado”.
sexta-feira, 25 de maio de 2012
IRMÃOS CORAGEM, ORIGINAL
Cantarolando: “Lembro a menina feia, tão acanhada,
de pé no chão. Hoje, maliciosa, guarda um segredo em seu coração...”
Olho para a Ana Maria. Ela: “Não é do meu tempo,
não!”
Colho, à volta, um olhar de compreensão. Ahá!
Pantiga! Ela devolve o olhar e começamos a comentar: Irmãos Coragem, Tarcísio
Meira, Regina Duarte tão menina, Claudio Marzo, Claudio Cavalcante, a índia
Potira, Duda, João Coragem...
Emanuel repete a letra da canção. Corto: “Você não é
do tempo! Esse é um “remake”. Foi inesquecível
assistir o Tarcício Meira (lindo, lindo!) em uma televisão em preto e branco, com
a imagem cheia de chuviscos. Irmãos Coragem.”
Costenaro e Pantiga me acompanham: “Foi
inesquecível!”
sábado, 8 de outubro de 2011
O CAMINHO DAS ÁGUAS - IV
Já que o assunto é economia no consumo de água, podemos referenciar os novos modelos de caixas e válvulas para descarga de dejetos.
Ao divulgar a idéia da garrafa, para uma economia de dois litros, a cada descarga, fui lembrada das novas (e ecologicamente corretas) caixas de descarga.
Pesquisei nos sites e vejam: para o uso adequado, são necessários, apenas, três ou seis litros, conforme a necessidade de quem utiliza o equipamento, o que é uma economia surpreendente, em face dos equipamentos tradicionais, que consomem, a cada descarga, de quinze a vinte litros*.
(*) http://casa.abril.com.br/planeta/produtos/planeta_185719.shtml
Ao divulgar a idéia da garrafa, para uma economia de dois litros, a cada descarga, fui lembrada das novas (e ecologicamente corretas) caixas de descarga.
Pesquisei nos sites e vejam: para o uso adequado, são necessários, apenas, três ou seis litros, conforme a necessidade de quem utiliza o equipamento, o que é uma economia surpreendente, em face dos equipamentos tradicionais, que consomem, a cada descarga, de quinze a vinte litros*.
(*) http://casa.abril.com.br/planeta/produtos/planeta_185719.shtml
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
O CAMINHO DAS ÁGUAS III
Uma idéia interessante, que entendo deveria ser divulgada: foi ela ensinada na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Mackenzie, e tem como exemplo uma prática utilizada nos Estados Unidos.
Aliás, nos Estados Unidos, anos atrás, foi proibida a fabricação, a compra (ainda que produto de importação) e a venda de recipientes para descarga acima de determinada capacidade.
Já pensou em colocar uma garrafa cheia de água em sua caixa de descarga?
A cada utilização, dois litros de água (nova ou reutilizada) seria economizada.
Além de interessante e ecologicamente correta (o que implica na satisfação pessoal pela adequação do ser humano ao mundo equilibrado), a prática é muito fácil de seguir.
Aliás, nos Estados Unidos, anos atrás, foi proibida a fabricação, a compra (ainda que produto de importação) e a venda de recipientes para descarga acima de determinada capacidade.
Já pensou em colocar uma garrafa cheia de água em sua caixa de descarga?
A cada utilização, dois litros de água (nova ou reutilizada) seria economizada.
Além de interessante e ecologicamente correta (o que implica na satisfação pessoal pela adequação do ser humano ao mundo equilibrado), a prática é muito fácil de seguir.
O CAMINHO DAS ÁGUAS II
Uma idéia interessante, que entendo deveria ser divulgada: foi ela ensinada na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Mackenzie, e tem como exemplo uma prática utilizada nos Estados Unidos.
Aliás, nos Estados Unidos, anos atrás, foi proibida a fabricação, a compra (ainda que produto de importação) e a venda de recipientes para descarga acima de determinada capacidade.
Já pensou em colocar uma garrafa cheia de água em sua caixa de descarga?
A cada utilização, dois litros de água (nova ou reutilizada) seria economizada.
Além de interessante e ecologicamente correta (o que implica na satisfação pessoal pela adequação do ser humano ao mundo equilibrado), a prática é muito fácil de seguir.
Aliás, nos Estados Unidos, anos atrás, foi proibida a fabricação, a compra (ainda que produto de importação) e a venda de recipientes para descarga acima de determinada capacidade.
Já pensou em colocar uma garrafa cheia de água em sua caixa de descarga?
A cada utilização, dois litros de água (nova ou reutilizada) seria economizada.
Além de interessante e ecologicamente correta (o que implica na satisfação pessoal pela adequação do ser humano ao mundo equilibrado), a prática é muito fácil de seguir.
O CAMINHO DAS ÁGUAS I
Há anos defendo a reutilização das águas das chuvas (CAMINHO DAS ÁGUAS, publicada em 23/03/2009), e o aproveitamento da energia solar, tendo o poder público como principal agente de divulgação e exemplo.
A partir de notícias divulgadas nos sites da internet, vemos a idéia compartilhada pelos nossos legisladores, a exemplo de outras nações de práticas civilizadas e racionais.
É um avanço significativo e memorável.
PRÉDIOS PÚBLICOS ESTADUAIS DEVERÃO CAPTAR ÁGUA DA CHUVA
A Assembléia Legislativa do Rio aprovou, em primeira discussão, nesta terça-feira (13/08), o projeto de lei 1453, do deputado Roberto Dinamite (PMDB), que pretende fazer com que os prédios públicos estaduais sejam obrigados a captar água da chuva através de reservatórios fabricados em material transparente. A proposta, que ainda voltará ao plenário para segunda votação, foi aprovada com a adição de uma emenda da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que inclui a expressão “pertencentes ao estado” no texto, para evitar distorções na aplicação da norma. “Isto é para evitar que o projeto seja questionado futuramente por tentar criar uma obrigação para edificações federais ou municipais”, explicou o autor da emenda, deputado Luiz Paulo (PSDB).
A partir de notícias divulgadas nos sites da internet, vemos a idéia compartilhada pelos nossos legisladores, a exemplo de outras nações de práticas civilizadas e racionais.
É um avanço significativo e memorável.
PRÉDIOS PÚBLICOS ESTADUAIS DEVERÃO CAPTAR ÁGUA DA CHUVA
A Assembléia Legislativa do Rio aprovou, em primeira discussão, nesta terça-feira (13/08), o projeto de lei 1453, do deputado Roberto Dinamite (PMDB), que pretende fazer com que os prédios públicos estaduais sejam obrigados a captar água da chuva através de reservatórios fabricados em material transparente. A proposta, que ainda voltará ao plenário para segunda votação, foi aprovada com a adição de uma emenda da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que inclui a expressão “pertencentes ao estado” no texto, para evitar distorções na aplicação da norma. “Isto é para evitar que o projeto seja questionado futuramente por tentar criar uma obrigação para edificações federais ou municipais”, explicou o autor da emenda, deputado Luiz Paulo (PSDB).
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
O MOTORISTA QUE VIROU JUIZ
Divulgo uma história que não aconteceu comigo e da qual não ouvi falar, por amigos ou conhecidos, mas divulgada no jornal O Estado de S.Paulo, anos atrás.
É a história de um entre tantos outros concurseiros, dos milhares que concorrem a cada vaga de esperança por um futuro melhor, um sonho, uma paixão: um juiz, que um dia foi motorista de juiz.
Terá sido fácil? É claro que não. É um exemplo de perseverança, que compartilho, hoje, com vocês.
A História do Motorista do TJ que virou Juíz
Ele veio passear, estudou e hoje é o orgulho da família
Reinaldo Moura de Souza não veio de família abastada, nunca estudou em universidade ou colégio caro nem se matriculou naqueles famosos cursinhos preparatórios para concurso na carreira jurídica.
É a história de um entre tantos outros concurseiros, dos milhares que concorrem a cada vaga de esperança por um futuro melhor, um sonho, uma paixão: um juiz, que um dia foi motorista de juiz.
Terá sido fácil? É claro que não. É um exemplo de perseverança, que compartilho, hoje, com vocês.
A História do Motorista do TJ que virou Juíz
Ele veio passear, estudou e hoje é o orgulho da família
Reinaldo Moura de Souza não veio de família abastada, nunca estudou em universidade ou colégio caro nem se matriculou naqueles famosos cursinhos preparatórios para concurso na carreira jurídica.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
SÓ PARA MULHERES
Uma academia feminina. Naturalmente, entram e saem mulheres – malhadas, confiantes.
Rua tal, número tal.
O oficial de justiça pede à recepcionista para entrar.
- Não é possível, meu senhor. Eu tenho ordem de permitir a entrada, apenas, de mulheres.
- Mas eu sou oficial, preciso entrar. Tenho ordem do juiz.
- Não, meu senhor, esta academia é só para mulheres. Tenho ordem de só deixar entrar mulheres.
Um teima, a outra, também.
O equívoco, ao final, é dissipado: no mesmo endereço, meses antes, funcionava uma casa de massagens para homens. Onde igualmente entrariam e sairiam mulheres - malhadas, confiantes.
Talvez ele não tivesse se dado conta de que, além de ser outro estabelecimento – ainda que mesmo o local – o foco fosse outro.
Rua tal, número tal.
O oficial de justiça pede à recepcionista para entrar.
- Não é possível, meu senhor. Eu tenho ordem de permitir a entrada, apenas, de mulheres.
- Mas eu sou oficial, preciso entrar. Tenho ordem do juiz.
- Não, meu senhor, esta academia é só para mulheres. Tenho ordem de só deixar entrar mulheres.
Um teima, a outra, também.
O equívoco, ao final, é dissipado: no mesmo endereço, meses antes, funcionava uma casa de massagens para homens. Onde igualmente entrariam e sairiam mulheres - malhadas, confiantes.
Talvez ele não tivesse se dado conta de que, além de ser outro estabelecimento – ainda que mesmo o local – o foco fosse outro.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
DOE PALAVRAS
O caminho aprendi com o colega recantista Mário Silva (no Recanto das Letras). Acessando o site, conferi e verifiquei que é possível, fácil e rápido. Doe palavras.
O Instituto Mário Penna lançou o projeto, para que possamos enviar mensagens, que são exibidas nas TVs dos hospitais e lares para os pacientes com câncer (Hospital Mário Penna, Hospital Luxemburgo e Casa de Apoio Beatriz Ferraz), em locais onde os pacientes mais precisam de força, como a sala de quimioterapia.
As mensagens compiladas nesse projeto vão se transformar em um livro, que será doado para diversos hospitais.
De pronto, acessei o site http://www.doepalavras.com.br e enviei algumas palavras. Ele está salvo na barra de ícones (é só entrar nos últimos sites acessados que está lá, para acessá-lo, novamente).
Com esse gesto, pode-se perder um minuto do nosso dia. No entanto, a sensação de conforto – de quem dá e para quem recebe – pode repercutir durante o dia inteiro.
Vamos doar palavras?
O Instituto Mário Penna lançou o projeto, para que possamos enviar mensagens, que são exibidas nas TVs dos hospitais e lares para os pacientes com câncer (Hospital Mário Penna, Hospital Luxemburgo e Casa de Apoio Beatriz Ferraz), em locais onde os pacientes mais precisam de força, como a sala de quimioterapia.
As mensagens compiladas nesse projeto vão se transformar em um livro, que será doado para diversos hospitais.
De pronto, acessei o site http://www.doepalavras.com.br e enviei algumas palavras. Ele está salvo na barra de ícones (é só entrar nos últimos sites acessados que está lá, para acessá-lo, novamente).
Com esse gesto, pode-se perder um minuto do nosso dia. No entanto, a sensação de conforto – de quem dá e para quem recebe – pode repercutir durante o dia inteiro.
Vamos doar palavras?
ERA UMA VEZ UM BOLÃO DE LOTERIA
.
Muitos anos atrás, um bolão, entre os muitos bolões para loteria.
O escrevente traz os resultados, anotados na agenda: primeiro prêmio!
Sobem nas mesas, gritam, alguns vão embora. Instala-se a balbúrdia.
Mais tarde, aquele escrevente percebe que há uma nota falha e checa a agenda: Meu Deus! Havia passado os números que eles jogaram. Transcrevera o resultado em outra folha.
Os colegas, que já tinham um pé atrás, porque julgavam – acertadamente – que o colega tinha a pretensão de ser juiz, se enraivecem.
O que fazer? Agüentar, esperar, estudar: o tempo resolveria.
O caso nos foi contado pelo próprio escrevente, há muitos anos juiz e alguns deles o titular de nossa Vara, para ilustrar a dispensa de conferir, eventualmente, o atual bolão do qual participamos.
Se ele ganhasse conosco o bolão? Continuaria a ser juiz, evidentemente.
PS: Caso você conheça o protagonista, não divulgarei o comentário se dele constar o nome ou qualquer identificação do magistrado. A história é verídica, curiosa e pública, mas até certo ponto.
Maria da Glória Perez
Muitos anos atrás, um bolão, entre os muitos bolões para loteria.
O escrevente traz os resultados, anotados na agenda: primeiro prêmio!
Sobem nas mesas, gritam, alguns vão embora. Instala-se a balbúrdia.
Mais tarde, aquele escrevente percebe que há uma nota falha e checa a agenda: Meu Deus! Havia passado os números que eles jogaram. Transcrevera o resultado em outra folha.
Os colegas, que já tinham um pé atrás, porque julgavam – acertadamente – que o colega tinha a pretensão de ser juiz, se enraivecem.
O que fazer? Agüentar, esperar, estudar: o tempo resolveria.
O caso nos foi contado pelo próprio escrevente, há muitos anos juiz e alguns deles o titular de nossa Vara, para ilustrar a dispensa de conferir, eventualmente, o atual bolão do qual participamos.
Se ele ganhasse conosco o bolão? Continuaria a ser juiz, evidentemente.
PS: Caso você conheça o protagonista, não divulgarei o comentário se dele constar o nome ou qualquer identificação do magistrado. A história é verídica, curiosa e pública, mas até certo ponto.
Maria da Glória Perez
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
O JOGO É MEU!
Lotérica de Shopping e uma fila enorme de impacientes.
Aproximando-me do guichê observo, ao lado, uma senhorinha, pessoa simples, a insistir com a caixa, em voz alta:
- Antes é preciso preencher o volante, minha senhora.
- Eu nunca preenchi isso, menina! Sempre dou o jogo e fazem pra mim. Por que você não pode?
- É a regra, senhora, primeiro é preciso preencher o volante.
- Você não pode fazer pra mim? Eu não sei fazer.
Dada a insistência - e a fila, que não andava -, a garota do caixa cede à pressão.
- São quatro reais.
- Como??!! Eu sempre paguei dois! Como, quatro reais!
- A senhora me mandou fazer. Fiz. São quatro reais. Agora quer que eu fique com o prejuízo?
Segue-se nova ladainha.
Para encurtar a história, intervenho:
- Pode deixar que eu fico com o bilhete.
A caixa, ante a obstinação da senhora, esclarece:
- A moça ficou com o bilhete. Não precisa mais pagar.
- Como!! O jogo é meu! Ninguém vai ficar com o meu jogo!
- A senhora não quis ficar, ela comprou.
A arenga não termina e eu me distraio com outras coisas. Chega a minha vez.
- Aquela senhora ficou com o bilhete?
- Ficou.
Peço um jogo no escuro e faço alguma outra aposta. A possibilidade de serem sorteados na mega sena os números 01-02-03-04-05-99 é a mesma de qualquer outra combinação.
Aproximando-me do guichê observo, ao lado, uma senhorinha, pessoa simples, a insistir com a caixa, em voz alta:
- Antes é preciso preencher o volante, minha senhora.
- Eu nunca preenchi isso, menina! Sempre dou o jogo e fazem pra mim. Por que você não pode?
- É a regra, senhora, primeiro é preciso preencher o volante.
- Você não pode fazer pra mim? Eu não sei fazer.
Dada a insistência - e a fila, que não andava -, a garota do caixa cede à pressão.
- São quatro reais.
- Como??!! Eu sempre paguei dois! Como, quatro reais!
- A senhora me mandou fazer. Fiz. São quatro reais. Agora quer que eu fique com o prejuízo?
Segue-se nova ladainha.
Para encurtar a história, intervenho:
- Pode deixar que eu fico com o bilhete.
A caixa, ante a obstinação da senhora, esclarece:
- A moça ficou com o bilhete. Não precisa mais pagar.
- Como!! O jogo é meu! Ninguém vai ficar com o meu jogo!
- A senhora não quis ficar, ela comprou.
A arenga não termina e eu me distraio com outras coisas. Chega a minha vez.
- Aquela senhora ficou com o bilhete?
- Ficou.
Peço um jogo no escuro e faço alguma outra aposta. A possibilidade de serem sorteados na mega sena os números 01-02-03-04-05-99 é a mesma de qualquer outra combinação.
segunda-feira, 23 de março de 2009
O CAMINHO DAS ÁGUAS
Quando a água encontra um entrave ao seu caminho natural, encontra novo destino. O homem é o responsável pelos obstáculos; é, também, a vítima de sua insensatez. As aglomerações urbanas trouxeram um novo cenário: o do mundo artificial, pavimentado e impermeável. É preciso repensar o modelo.
A palavra de ordem contra as enchentes deve ser represar e deixar passar. Represar as águas possíveis e permitir o curso natural da que não for possível aprisionar.
É sensato e urgente a troca de piso nos estacionamentos de automóveis (públicos e particulares) e nos calçamentos de prédios públicos por materiais porosos, para que a água recebida das chuvas seja direcionada ao lençol freático. A medida garantiria a alimentação de nascentes e diminuiria o impacto das enchentes, o que aliviaria a sociedade de dois problemas: o das enchentes e o das secas.
Também já existe o a).)sfalto impermeável. Por que não é utilizado?
Quanto às cisternas para o aproveitamento das águas pluviais, já existem leis ordenando que novos prédios tenham a previsão delas. Mas não é o bastante.
O poder público pode e deve dar o exemplo. Afinal, o interesse público não é demonstrado apenas quando o Judiciário resolve uma lide ou o Ministério Público abraça uma causa. Quando uma rua é asfaltada ou motoristas são multados por excesso de velocidade. Medidas simples podem ajudar a resolver um grande problema, que se torna maior com o crescimento das cidades.
Se as propriedades públicas recolhessem as águas recebidas, teríamos mais do que uma medida preventiva, mas um exemplo, que viria de cima, com cisternas para o recebimento dessa água (nos prédios dos Fóruns, Prefeituras, autarquias, etc.).
Recolhidas, poderiam ser utilizadas para uso nos banheiros, limpeza e jardins.
Se a bomba fosse acionada por energia solar (poucos receptores bastariam), seríamos exemplo para o mundo - e o custo do investimento seria pago em pouquíssimo tempo.
As placas de captação são caras porque a demanda é pequena. Por incrível que pareça, há uma cidade na Alemanha (que esbanja sol o ano inteiro, pois não?) que é campeã na utilização de energia solar (e no uso de bicicletas, em detrimento dos automóveis).
Com o aumento do consumo, a concorrência aumentaria, e o preço da energia barata poderia ser mais utilizada pelos particulares. Os políticos que implementassem tal idéia teriam maior visibilidade - afinal, vivemos uma era em que a defesa do meio ambiente é tema de discussão nos principais centros do mundo.
A palavra de ordem contra as enchentes deve ser represar e deixar passar. Represar as águas possíveis e permitir o curso natural da que não for possível aprisionar.
É sensato e urgente a troca de piso nos estacionamentos de automóveis (públicos e particulares) e nos calçamentos de prédios públicos por materiais porosos, para que a água recebida das chuvas seja direcionada ao lençol freático. A medida garantiria a alimentação de nascentes e diminuiria o impacto das enchentes, o que aliviaria a sociedade de dois problemas: o das enchentes e o das secas.
Também já existe o a).)sfalto impermeável. Por que não é utilizado?
Quanto às cisternas para o aproveitamento das águas pluviais, já existem leis ordenando que novos prédios tenham a previsão delas. Mas não é o bastante.
O poder público pode e deve dar o exemplo. Afinal, o interesse público não é demonstrado apenas quando o Judiciário resolve uma lide ou o Ministério Público abraça uma causa. Quando uma rua é asfaltada ou motoristas são multados por excesso de velocidade. Medidas simples podem ajudar a resolver um grande problema, que se torna maior com o crescimento das cidades.
Se as propriedades públicas recolhessem as águas recebidas, teríamos mais do que uma medida preventiva, mas um exemplo, que viria de cima, com cisternas para o recebimento dessa água (nos prédios dos Fóruns, Prefeituras, autarquias, etc.).
Recolhidas, poderiam ser utilizadas para uso nos banheiros, limpeza e jardins.
Se a bomba fosse acionada por energia solar (poucos receptores bastariam), seríamos exemplo para o mundo - e o custo do investimento seria pago em pouquíssimo tempo.
As placas de captação são caras porque a demanda é pequena. Por incrível que pareça, há uma cidade na Alemanha (que esbanja sol o ano inteiro, pois não?) que é campeã na utilização de energia solar (e no uso de bicicletas, em detrimento dos automóveis).
Com o aumento do consumo, a concorrência aumentaria, e o preço da energia barata poderia ser mais utilizada pelos particulares. Os políticos que implementassem tal idéia teriam maior visibilidade - afinal, vivemos uma era em que a defesa do meio ambiente é tema de discussão nos principais centros do mundo.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
DUAS SENHORAS ELEGANTES
As protagonistas permanecem anônimas. Jamais conheci seus nomes ou história, apesar de participarem de um episódio marcante.
No centro da cidade, pouco à frente de mim, caminhavam duas senhoras. Não eram velhinhas, posto que a conotação é diversa.
Esguias, bem trajadas e penteadas: duas senhoras elegantes. Em certo momento da caminhada, com naturalidade, uma delas agacha-se e recolhe um saco plástico do chão, com a ponta dos dedos. Saco comum, desses de supermercado. Caminha alguns poucos metros e deposita-o na lixeira, com espontaneidade.
Fiquei impressionada, porque até então cuidava - e sempre cuidei - do meu lixo, procurando dar o exemplo e educar minha filha para que jamais jogasse qualquer coisa nas calçadas.
A lição passada foi a de estender os meus dedos e "ajudar a limpar" aquilo que os outros deixam: o máximo em termos de elegância, cultura e refinamento.
Essa imagem ficou gravada, por anos, em minha memória e agora, depois de assimilar a atitude, com naturalidade, posso compartilhá-la. Não precisamos de trombetas, mas de delicadeza e educação, multiplicar as senhoras elegantes, ser uma delas.
No centro da cidade, pouco à frente de mim, caminhavam duas senhoras. Não eram velhinhas, posto que a conotação é diversa.
Esguias, bem trajadas e penteadas: duas senhoras elegantes. Em certo momento da caminhada, com naturalidade, uma delas agacha-se e recolhe um saco plástico do chão, com a ponta dos dedos. Saco comum, desses de supermercado. Caminha alguns poucos metros e deposita-o na lixeira, com espontaneidade.
Fiquei impressionada, porque até então cuidava - e sempre cuidei - do meu lixo, procurando dar o exemplo e educar minha filha para que jamais jogasse qualquer coisa nas calçadas.
A lição passada foi a de estender os meus dedos e "ajudar a limpar" aquilo que os outros deixam: o máximo em termos de elegância, cultura e refinamento.
Essa imagem ficou gravada, por anos, em minha memória e agora, depois de assimilar a atitude, com naturalidade, posso compartilhá-la. Não precisamos de trombetas, mas de delicadeza e educação, multiplicar as senhoras elegantes, ser uma delas.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
MAUAD E O MOTORISTA
Exemplificando como o sono é importante para o organismo e como serviço noturno pode ser perigoso, nosso professor discorreu sobre uma situação pela qual passou, anos atrás.
Como advogado, viaja muito.
Certa feita, em uma viagem ao Rio de Janeiro, percorria a ponte Rio-Niterói.
É linda!
Mas longa e reta.
Viajava em ônibus noturno e estava estrategicamente posicionado.
Olhando, distraidamente, para o espelho, verifica que o motorista piscou.
Mostra-se atento.
Pisca o motorista, novamente.
Fica alerta.
Na terceira vez, não titubeou.
Dirigiu-se à cabine e começou a entabular uma conversa com o condutor do veículo.
Perguntas vãs, sem propósito por uma resposta.
O motorista, de certo, pensou: quem é esse chato?
O chato era um passageiro certo de que um nada seria preciso para que o veículo despencasse ponte abaixo.
Que não se incomodaria com o epíteto de chato, contanto que chegasse, incólume, ao outro lado da ponte.
O relógio biológico, comum aos animais, data de três milhões de anos.
Vem somatizando ao nosso DNA. O fenômeno da luz elétrica é recente, de pouco mais de um século. O dia foi feito para o trabalho e a noite, para o descanso. A luta contra o sono é uma luta ingrata.
Por tudo isso, o legislador entendeu que este trabalhador devesse ter uma jornada menor, e uma compensação financeira.
É certo que existem pessoas que conseguem funcionar bem à noite. São os chamados notívagos. Estudos reconhecem isso em mais ou menos dez por cento da população.
Brigar com a natureza pode trazer sérios riscos. À nossa saúde e à segurança nossa e de terceiros.
Daí, não custa nada observar pelo retrovisor e ser o próximo chato.
Como advogado, viaja muito.
Certa feita, em uma viagem ao Rio de Janeiro, percorria a ponte Rio-Niterói.
É linda!
Mas longa e reta.
Viajava em ônibus noturno e estava estrategicamente posicionado.
Olhando, distraidamente, para o espelho, verifica que o motorista piscou.
Mostra-se atento.
Pisca o motorista, novamente.
Fica alerta.
Na terceira vez, não titubeou.
Dirigiu-se à cabine e começou a entabular uma conversa com o condutor do veículo.
Perguntas vãs, sem propósito por uma resposta.
O motorista, de certo, pensou: quem é esse chato?
O chato era um passageiro certo de que um nada seria preciso para que o veículo despencasse ponte abaixo.
Que não se incomodaria com o epíteto de chato, contanto que chegasse, incólume, ao outro lado da ponte.
O relógio biológico, comum aos animais, data de três milhões de anos.
Vem somatizando ao nosso DNA. O fenômeno da luz elétrica é recente, de pouco mais de um século. O dia foi feito para o trabalho e a noite, para o descanso. A luta contra o sono é uma luta ingrata.
Por tudo isso, o legislador entendeu que este trabalhador devesse ter uma jornada menor, e uma compensação financeira.
É certo que existem pessoas que conseguem funcionar bem à noite. São os chamados notívagos. Estudos reconhecem isso em mais ou menos dez por cento da população.
Brigar com a natureza pode trazer sérios riscos. À nossa saúde e à segurança nossa e de terceiros.
Daí, não custa nada observar pelo retrovisor e ser o próximo chato.
sábado, 27 de setembro de 2008
SÃO PAULO-SALVADOR
Nosso professor Rollo, mestre de Direitos Difusos e Coletivos, profere palestras em universidades de todo o Brasil.
Para ilustrar o erro na informação de produtos e serviços vendidos, nos oferece o seguinte exemplo:
Certa feita, tomou a fila para o embarque no avião que, vindo de Buenos Aires, o levaria a Salvador, seu destino.
Após uma hora de espera, a polícia federal revista sua bagagem e lhe retiram o frasco de perfume. Poderia ser empecilho em uma viagem transnacional, justificado pela proibição de se viajar com líquidos, mas não em um vôo doméstico, São Paulo-Salvador.
O problema: a companhia aérea simplesmente não informou que seria um vôo internacional.
A conclusão: “passagem para Salvador, senhor, de hora em hora”: sob quais condições? Todo cuidado é pouco!
Para ilustrar o erro na informação de produtos e serviços vendidos, nos oferece o seguinte exemplo:
Certa feita, tomou a fila para o embarque no avião que, vindo de Buenos Aires, o levaria a Salvador, seu destino.
Após uma hora de espera, a polícia federal revista sua bagagem e lhe retiram o frasco de perfume. Poderia ser empecilho em uma viagem transnacional, justificado pela proibição de se viajar com líquidos, mas não em um vôo doméstico, São Paulo-Salvador.
O problema: a companhia aérea simplesmente não informou que seria um vôo internacional.
A conclusão: “passagem para Salvador, senhor, de hora em hora”: sob quais condições? Todo cuidado é pouco!
segunda-feira, 9 de junho de 2008
JUSTO É ...
Final de semestre, alunos estressados, professores estressados. Estamos às vésperas das últimas provas antes das férias do meio do ano.
Durante a aula, o professor chama a atenção de um aluno, que estava conversando. Mais tarde, o convida a se retirar.
- Já estava me incomodando. Agora, está incomodando o pessoal. Vai descansar lá fora. É, você.
Nós nos acostumamos, desde o primeiro ano, a esculhambações dos professores, muitas delas culminando na retirada de alunos da sala de aula: bonés, chicletes, livros, trabalhos ou revistas que não tenham a ver com a aula. Foram advertidos alunos por sentarem-se desajeitadamente e convidada a se retirar uma garota que lixava suas unhas durante a exposição do mestre.
Faz sentido. Estamos em uma faculdade de Direito.
Durante a aula, o professor chama a atenção de um aluno, que estava conversando. Mais tarde, o convida a se retirar.
- Já estava me incomodando. Agora, está incomodando o pessoal. Vai descansar lá fora. É, você.
Nós nos acostumamos, desde o primeiro ano, a esculhambações dos professores, muitas delas culminando na retirada de alunos da sala de aula: bonés, chicletes, livros, trabalhos ou revistas que não tenham a ver com a aula. Foram advertidos alunos por sentarem-se desajeitadamente e convidada a se retirar uma garota que lixava suas unhas durante a exposição do mestre.
Faz sentido. Estamos em uma faculdade de Direito.
sexta-feira, 6 de junho de 2008
MESTRES DE CADA DIA: O MOTORISTA DE TÁXI
MESTRES DE CADA DIA: O MOTORISTA DE TÁXI
Durante a última aula, nossa professora Rosa fez um pequeno aparte, digno de nota. Novamente é ela a protagonista, dividindo o espaço com uma figura muito especial.
Precisou a professora ir a um enterro, e estava emocionalmente abalada. Como o cemitério Getsêmani ficasse longe, alugou um táxi.
Durante o trajeto, o motorista explicou que foi aprovada uma lei proibindo o uso de amianto na fabricação de materiais de construção e de pastilhas de freio.
Sem o amianto, a durabilidade das pastilhas é menor. No entanto, nenhum motorista teria reclamado. Jamais o motorista ouviu qualquer comentário contrário, embora o custo com a manutenção do seu meio de sustento tivesse crescido.
Isto porque o amianto é um agente comprovadamente cancerígeno, causador de graves danos à saúde.
Comentou então que foi ajuizada uma ação direta de inconstitucionalidade (ADIN) no Supremo, para que fosse declarada a inconstitucionalidade da lei.
Proposta a ação, o ministro Marco Aurélio concedeu a liminar, suspendendo a lei, porque seria inconstitucional.
O ministro Marco Aurélio é sempre o voto contrário. É já lendária a sua posição. A posição do voto contra a maioria. Se existir um voto contrário, é sempre o dele. Mas sua manifestação foi devidamente justificada, segundo o seu entendimento.
Em seqüência, narra o taxista que na véspera o STF teria derrubado a liminar e o amianto continua proibido.
Nossa professora Rosa não sabia do caso, e aprendeu com o motorista. É bastante curioso.
Ela é uma profissional do Direito. Leciona há muitos – e muitos – anos e advoga. Como se não bastasse, tem um filho juiz.
Faz o desjejum, almoça e janta Direito. E em um eventual encontro aprendeu, além dos elementos que envolvem o direito discutido, uma coisa maior.
A sociedade têm desenvolvido consciência social e ecológica. Isso é maior do que aquele simples “de cada ser humano tenho algo a aprender”. Porque as pessoas estão mais atentas e engajadas.
A aula foi ministrada no dia 5 de maio, dia do meio ambiente.
Durante a última aula, nossa professora Rosa fez um pequeno aparte, digno de nota. Novamente é ela a protagonista, dividindo o espaço com uma figura muito especial.
Precisou a professora ir a um enterro, e estava emocionalmente abalada. Como o cemitério Getsêmani ficasse longe, alugou um táxi.
Durante o trajeto, o motorista explicou que foi aprovada uma lei proibindo o uso de amianto na fabricação de materiais de construção e de pastilhas de freio.
Sem o amianto, a durabilidade das pastilhas é menor. No entanto, nenhum motorista teria reclamado. Jamais o motorista ouviu qualquer comentário contrário, embora o custo com a manutenção do seu meio de sustento tivesse crescido.
Isto porque o amianto é um agente comprovadamente cancerígeno, causador de graves danos à saúde.
Comentou então que foi ajuizada uma ação direta de inconstitucionalidade (ADIN) no Supremo, para que fosse declarada a inconstitucionalidade da lei.
Proposta a ação, o ministro Marco Aurélio concedeu a liminar, suspendendo a lei, porque seria inconstitucional.
O ministro Marco Aurélio é sempre o voto contrário. É já lendária a sua posição. A posição do voto contra a maioria. Se existir um voto contrário, é sempre o dele. Mas sua manifestação foi devidamente justificada, segundo o seu entendimento.
Em seqüência, narra o taxista que na véspera o STF teria derrubado a liminar e o amianto continua proibido.
Nossa professora Rosa não sabia do caso, e aprendeu com o motorista. É bastante curioso.
Ela é uma profissional do Direito. Leciona há muitos – e muitos – anos e advoga. Como se não bastasse, tem um filho juiz.
Faz o desjejum, almoça e janta Direito. E em um eventual encontro aprendeu, além dos elementos que envolvem o direito discutido, uma coisa maior.
A sociedade têm desenvolvido consciência social e ecológica. Isso é maior do que aquele simples “de cada ser humano tenho algo a aprender”. Porque as pessoas estão mais atentas e engajadas.
A aula foi ministrada no dia 5 de maio, dia do meio ambiente.
MULTIPLICIDADE
Já esteve em uma situação como no pavimento superior da Estação da Sé do Metrô, lá em cima, e por alguns segundos observar as pessoas passando, agitadas e anônimas, em sua lida, para todos os lados, à frente, pelos lados e embaixo?
Não apenas observá-las, mas senti-las, e ter a sensação de que cada uma delas guarda uma vida, que poderia gerar histórias que preencheriam as estantes de uma biblioteca?
Cada um tem a ensinar, a aprender, a crescer e mesmo a perder-se.
Se uma vida é perdida, não é apenas um, mas um infinito. Dessa forma, cria-se um vácuo, além do vácuo que é o não saber.
Tanto que se poderia ver, aprender, apreender, e não conseguimos. É uma leitura do mundo diferente da nossa.
Costumo comparar as perspectivas pessoais com um globo, desses usados em salões de baile, multifacetado.
Cada pequeno pedaço desvendaria uma visão do mundo, e jamais abarcaremos todas as múltiplas dimensões.
Mas a teoria do globo pode ser aplicada a infinitas possibilidades, porque a vida não é feita de um único fato, mas fatos multiplicados que se encaixam uns aos outros, sequencialmente. Além das perspectivas, experiências.
Então olhamos a multidão-massa e podemos perceber que naquele conjunto de não-identidades existem individualidades. Pessoas em seus mais variados momentos, vivendo, pulsando.
Cada uma delas, um universo, inalcançável.
A multiplicidade é vida.
Não apenas observá-las, mas senti-las, e ter a sensação de que cada uma delas guarda uma vida, que poderia gerar histórias que preencheriam as estantes de uma biblioteca?
Cada um tem a ensinar, a aprender, a crescer e mesmo a perder-se.
Se uma vida é perdida, não é apenas um, mas um infinito. Dessa forma, cria-se um vácuo, além do vácuo que é o não saber.
Tanto que se poderia ver, aprender, apreender, e não conseguimos. É uma leitura do mundo diferente da nossa.
Costumo comparar as perspectivas pessoais com um globo, desses usados em salões de baile, multifacetado.
Cada pequeno pedaço desvendaria uma visão do mundo, e jamais abarcaremos todas as múltiplas dimensões.
Mas a teoria do globo pode ser aplicada a infinitas possibilidades, porque a vida não é feita de um único fato, mas fatos multiplicados que se encaixam uns aos outros, sequencialmente. Além das perspectivas, experiências.
Então olhamos a multidão-massa e podemos perceber que naquele conjunto de não-identidades existem individualidades. Pessoas em seus mais variados momentos, vivendo, pulsando.
Cada uma delas, um universo, inalcançável.
A multiplicidade é vida.
quinta-feira, 29 de maio de 2008
PROFESSORA ROSA: NÃO ZERO, MAS MEIO
No quinto ano estamos todos ansiosos: temos a entrega e a apresentação da monografia, estágios, conclusão das horas de atividades complementares, os cursos de ética e, por fim, as provas e os trabalhos de graduação. Sem esquecer aqueles que trabalham em tempo integral para subvencionar o próprio pão (assim como o aluguel, as mensalidades da faculdade, as roupas e tudo o mais) e precisam conciliar o seu tempo com as tarefas elencadas, todas obrigatórias.
A professora Rosa Pelicani, advogada, mãe orgulhosa de um filho que foi excelente aluno, atualmente magistrado, é professora de processo civil. Notável professora, ministra suas aulas com método, de forma didática e eficiente. No entanto, é também conhecida pelo rigor com que aplica as suas provas.
Outro dia, durante a aula, uma vez que estivéssemos adiantados em relação às outras turmas, nossa professora abriu um espaço para o diálogo.
A professora Rosa Pelicani, advogada, mãe orgulhosa de um filho que foi excelente aluno, atualmente magistrado, é professora de processo civil. Notável professora, ministra suas aulas com método, de forma didática e eficiente. No entanto, é também conhecida pelo rigor com que aplica as suas provas.
Outro dia, durante a aula, uma vez que estivéssemos adiantados em relação às outras turmas, nossa professora abriu um espaço para o diálogo.
domingo, 25 de maio de 2008
NEI FREDERICO CANO MARTINS: A ÚLTIMA GRANDE HOMENAGEM
No sábado, dia 10 de maio de 2008, assisti a mais um Encontro da nossa faculdade sobre o Direito do Trabalho.
Sexto evento do gênero, abarcou duas palestras. A primeira teve por tema a atualidade dos princípios da seguridade social; a segunda abordou os tratados internacionais e as convenções da OIT.
Em dado momento, minha amiga Renata observa que todos os componentes da mesa eram juízes. Juízes ou desembargadores.
Verifiquei, passando os olhos por todos os participantes, que a afirmativa estava correta: com exceção de nosso diretor, o professor decano e renomado advogado, Dr. Pimenta, todos os outros eram juízes.
O primeiro palestrante da tarde foi o Dr. Marcus Orione Gonçalves Correia. Dono de vasto currículo, é bastante apenas a citação de sua livre-docência pela Faculdade de Direito da USP e do seu trabalho como docente na graduação e pós-graduação da mesma faculdade.
Antes do eminente convidado iniciar sua fala, agradeceu à mesa e dirigiu-se, específica e especialmente ao nosso professor Nei. Disse que este era um herói, reconhecido pela classe dos magistrados.
Afirmou que o Direito tem uma tendência sazonal, por uma década pendendo na defesa do devedor; na década seguinte, inclina-se para a proteção do credor. Concluiu afirmando que o nosso professor, enquanto juiz do trabalho, lutou contra a maré, sozinho, em uma década em que os direitos dos trabalhadores eram relativizados, e que graças ao trabalho de homens como ele, todos temos hoje muito a agradecer. Empertigou-se e prestou a reverência com o próprio corpo, braços estendidos em direção ao nosso professor.
Terminada a saudação, asseverou que, prestadas as homenagens à casa, a quem devia, poderia então começar a falar.
Foi um dos quadros mais marcantes que vi em minha vida, que levarei como recordação como momento inesquecível.
Em nada o ato de respeito diminui a figura do nobre palestrante; antes, ao contrário, mais o enobrece e dignifica. O ato prestou-se, também, a que tomássemos, todos os presentes, nota de que a figura que temos ao lado, tão carinhosa, humilde e prestativa, é um grande homem que não se arvora nos louros e homenagens recebidos para sobrepujar-se, acima e sobre os que soletram as primeiras letras do Direito ou os seus companheiros na docência.
O quadro ficou. Tomei minhas notas, publiquei-as.
Na sexta-feira seguinte, ao chegar à faculdade, os portões estavam trancados. Um cartaz divulgava o falecimento de nosso professor.
Não fui sua aluna, posto que estudo à noite, e ele lecionava no período diurno. Não diretamente. Conheci-o participando de nossas semanas jurídicas, em que ele sempre se apresentou. Era uma figura inigualável, ímpar. Poeta, compositor, cantava e tocava em nossos eventos. O clima tornava-se de festa, e o auditório o acompanhava, em êxtase. Uma catarse coletiva.
Contatos mais tive quando surgiram dúvidas. Com a delicadeza de um amigo, retirava as nuvens. É significativo mencionar que foi o seu livro, criado em parceria com o nosso também professor Marcelo Mauad, que orientou nossas aulas de Direito do Trabalho.
Foi um professor também amado e respeitado pelos outros mestres. A humildade e a amizade sincera com que se dirigia aos colegas fizeram dele pessoa grata onde estivesse. Freqüentando a sala dos professores, jamais o vi deixar de cumprimentar, com delicadeza e afeto, quem quer que fosse.
À professora Elisabeth, dedicada por excelência, coube noticiar-me sobre o velório, onde tive a felicidade de saber, por sua sobrinha, que aquela figura que eu tinha há pouco como um professor jovial e alegre, teria completado sessenta e três anos na semana que seguiu o evento e no ano passado recebera uma comenda do Tribunal do Trabalho.
Ontem, dia 21 de maio, a Renata descreveu uma cena que a chocou. Chegando à faculdade, na mesma sexta-feira em que anunciada a morte de nosso mestre, reparou em rapaz, postado à frente do cartaz. Lendo o aviso, fez-se branco. Percebia-se a sua emoção: estava, claramente, gelado, transtornado. Arfava. Naturalmente, emocionara-se ao saber da notícia.
Mas a decepção não tardou. Dirigiu-se a ela, desconsolado: “Eu tinha que entregar este livro na biblioteca, hoje!”. E foi-se, com o livro na mão.
Atribuo a atitude desrespeitosa não apenas ao descaso, mas aos princípios que têm regido nossa juventude. Mesmo que não fosse seu aluno e que não tivesse a dimensão de nossa perda, poderia ao menos revelar alguma curiosidade sobre a figura pela qual a faculdade revelava o seu pesar.
O professor Nei foi-se. Nunca mais o veremos em nossos eventos, que tornar-se-ão menores. Perdemos em alegria e encanto. Ficará a honra de termos abrigado um grande homem. Ainda que nem todos tenham a qualidade de poder avaliar as presenças que os circundam, todos os dias. Ainda que nem todos tenham a felicidade de ter participado de um evento que nos proporcionasse captar a dimensão de almas guerreiras e generosas.
Ao fim, registro uma fala de nosso diretor, o Dr. Pimenta, sempre repetida, assim como também proferida neste último encontro: “Se um dia nos depararmos com o confronto entre o Direito e a Justiça, lutemos pela realização da Justiça”.
Tenho muito a agradecer ao nosso nobre palestrante, Marcus Orione, que proporcionou a última grande homenagem a um homem simples e digno e à professora Elisabeth, que tanto respeito e admiro.
Viveu simplesmente e amava o que fazia. Recebeu as honrarias em vida, o que na verdade é o que importa. É igualmente relevante que, tendo sido um lutador e recebido mostras de respeito de grandes homens, não tenha feito delas motivo para sobrelevar-se, acintosamente, ante os demais. Descanse em paz, meu professor Nei Frederico Cano Martins.
Sexto evento do gênero, abarcou duas palestras. A primeira teve por tema a atualidade dos princípios da seguridade social; a segunda abordou os tratados internacionais e as convenções da OIT.
Em dado momento, minha amiga Renata observa que todos os componentes da mesa eram juízes. Juízes ou desembargadores.
Verifiquei, passando os olhos por todos os participantes, que a afirmativa estava correta: com exceção de nosso diretor, o professor decano e renomado advogado, Dr. Pimenta, todos os outros eram juízes.
O primeiro palestrante da tarde foi o Dr. Marcus Orione Gonçalves Correia. Dono de vasto currículo, é bastante apenas a citação de sua livre-docência pela Faculdade de Direito da USP e do seu trabalho como docente na graduação e pós-graduação da mesma faculdade.
Antes do eminente convidado iniciar sua fala, agradeceu à mesa e dirigiu-se, específica e especialmente ao nosso professor Nei. Disse que este era um herói, reconhecido pela classe dos magistrados.
Afirmou que o Direito tem uma tendência sazonal, por uma década pendendo na defesa do devedor; na década seguinte, inclina-se para a proteção do credor. Concluiu afirmando que o nosso professor, enquanto juiz do trabalho, lutou contra a maré, sozinho, em uma década em que os direitos dos trabalhadores eram relativizados, e que graças ao trabalho de homens como ele, todos temos hoje muito a agradecer. Empertigou-se e prestou a reverência com o próprio corpo, braços estendidos em direção ao nosso professor.
Terminada a saudação, asseverou que, prestadas as homenagens à casa, a quem devia, poderia então começar a falar.
Foi um dos quadros mais marcantes que vi em minha vida, que levarei como recordação como momento inesquecível.
Em nada o ato de respeito diminui a figura do nobre palestrante; antes, ao contrário, mais o enobrece e dignifica. O ato prestou-se, também, a que tomássemos, todos os presentes, nota de que a figura que temos ao lado, tão carinhosa, humilde e prestativa, é um grande homem que não se arvora nos louros e homenagens recebidos para sobrepujar-se, acima e sobre os que soletram as primeiras letras do Direito ou os seus companheiros na docência.
O quadro ficou. Tomei minhas notas, publiquei-as.
Na sexta-feira seguinte, ao chegar à faculdade, os portões estavam trancados. Um cartaz divulgava o falecimento de nosso professor.
Não fui sua aluna, posto que estudo à noite, e ele lecionava no período diurno. Não diretamente. Conheci-o participando de nossas semanas jurídicas, em que ele sempre se apresentou. Era uma figura inigualável, ímpar. Poeta, compositor, cantava e tocava em nossos eventos. O clima tornava-se de festa, e o auditório o acompanhava, em êxtase. Uma catarse coletiva.
Contatos mais tive quando surgiram dúvidas. Com a delicadeza de um amigo, retirava as nuvens. É significativo mencionar que foi o seu livro, criado em parceria com o nosso também professor Marcelo Mauad, que orientou nossas aulas de Direito do Trabalho.
Foi um professor também amado e respeitado pelos outros mestres. A humildade e a amizade sincera com que se dirigia aos colegas fizeram dele pessoa grata onde estivesse. Freqüentando a sala dos professores, jamais o vi deixar de cumprimentar, com delicadeza e afeto, quem quer que fosse.
À professora Elisabeth, dedicada por excelência, coube noticiar-me sobre o velório, onde tive a felicidade de saber, por sua sobrinha, que aquela figura que eu tinha há pouco como um professor jovial e alegre, teria completado sessenta e três anos na semana que seguiu o evento e no ano passado recebera uma comenda do Tribunal do Trabalho.
Ontem, dia 21 de maio, a Renata descreveu uma cena que a chocou. Chegando à faculdade, na mesma sexta-feira em que anunciada a morte de nosso mestre, reparou em rapaz, postado à frente do cartaz. Lendo o aviso, fez-se branco. Percebia-se a sua emoção: estava, claramente, gelado, transtornado. Arfava. Naturalmente, emocionara-se ao saber da notícia.
Mas a decepção não tardou. Dirigiu-se a ela, desconsolado: “Eu tinha que entregar este livro na biblioteca, hoje!”. E foi-se, com o livro na mão.
Atribuo a atitude desrespeitosa não apenas ao descaso, mas aos princípios que têm regido nossa juventude. Mesmo que não fosse seu aluno e que não tivesse a dimensão de nossa perda, poderia ao menos revelar alguma curiosidade sobre a figura pela qual a faculdade revelava o seu pesar.
O professor Nei foi-se. Nunca mais o veremos em nossos eventos, que tornar-se-ão menores. Perdemos em alegria e encanto. Ficará a honra de termos abrigado um grande homem. Ainda que nem todos tenham a qualidade de poder avaliar as presenças que os circundam, todos os dias. Ainda que nem todos tenham a felicidade de ter participado de um evento que nos proporcionasse captar a dimensão de almas guerreiras e generosas.
Ao fim, registro uma fala de nosso diretor, o Dr. Pimenta, sempre repetida, assim como também proferida neste último encontro: “Se um dia nos depararmos com o confronto entre o Direito e a Justiça, lutemos pela realização da Justiça”.
Tenho muito a agradecer ao nosso nobre palestrante, Marcus Orione, que proporcionou a última grande homenagem a um homem simples e digno e à professora Elisabeth, que tanto respeito e admiro.
Viveu simplesmente e amava o que fazia. Recebeu as honrarias em vida, o que na verdade é o que importa. É igualmente relevante que, tendo sido um lutador e recebido mostras de respeito de grandes homens, não tenha feito delas motivo para sobrelevar-se, acintosamente, ante os demais. Descanse em paz, meu professor Nei Frederico Cano Martins.
domingo, 18 de maio de 2008
DEFESA E CONSERVAÇÃO
Certa feita, na aula de Direito Internacional, nosso professor Rui Décio precisou exemplificar o direito de defesa e conservação dos Estados.
Perguntou à classe com qual direito se parece. Não obteve resposta. Não por outro motivo, mas nossa classe não é muito receptiva às perguntas dos professores.
Toma então o professor a iniciativa de provocar, fisicamente, o João, nosso colega, para que este responda. Uma investida leve.
- Ora, João! Você nem se mexe! Legítima defesa!
O professor diz que não provocaria nosso outro colega, na ponta da classe, porque está armado. De fato, tem ele andado com o auxílio de duas muletas, porque foi vítima de um acidente automobilístico.
- Se eu o provocasse, me daria uma muletada na cabeça.
Pergunta, então, o professor: alguém usa arma, aqui? Todos os olhares da classe dirigem-se ao João. Quieto, João não responde.
Ante o olhar atônito do professor, alguém esclarece:
- Ele é policial.
O professor:
- Você? Deus! Amanhã, notícia de jornal: “professor é baleado por provocar policial”.
O João, afinal, responde:
- Não. Só a uso em legítima defesa.
Perguntou à classe com qual direito se parece. Não obteve resposta. Não por outro motivo, mas nossa classe não é muito receptiva às perguntas dos professores.
Toma então o professor a iniciativa de provocar, fisicamente, o João, nosso colega, para que este responda. Uma investida leve.
- Ora, João! Você nem se mexe! Legítima defesa!
O professor diz que não provocaria nosso outro colega, na ponta da classe, porque está armado. De fato, tem ele andado com o auxílio de duas muletas, porque foi vítima de um acidente automobilístico.
- Se eu o provocasse, me daria uma muletada na cabeça.
Pergunta, então, o professor: alguém usa arma, aqui? Todos os olhares da classe dirigem-se ao João. Quieto, João não responde.
Ante o olhar atônito do professor, alguém esclarece:
- Ele é policial.
O professor:
- Você? Deus! Amanhã, notícia de jornal: “professor é baleado por provocar policial”.
O João, afinal, responde:
- Não. Só a uso em legítima defesa.
sexta-feira, 16 de maio de 2008
COMMENT ALLEZ-VOUS?
Quando estudante de Arquitetura, na Faculdade Mackenzie, nós, alunos, víamos nossos professores, corriqueiramente, conversando em inglês. Em especial os professores de projeto tinham esse costume. Talvez porque viajassem em conjunto e vissem no colóquio uma especial prática.
As conversas não teriam o fito de torná-las mais particulares, uma vez que é bastante comum o aluno entender, ao menos, o idioma.
As aulas de desenho, no primeiro semestre do curso, eram ministradas pelo professor Carlão. Ele também lecionava física, para as turmas mais avançadas. Uma figura muito especial. No doutorado, defendeu a tese de que qualquer pessoa era capaz de pintar, como os grandes mestres da pintura.
Nós, seus alunos, reproduzimos telas de artistas consagrados, aprendemos a ler as pinturas e aplicar técnicas do ramo. Guardava as melhores com muito carinho. Além de servirem como material de apoio, que atestava a nossa infinita capacidade, eram igualmente expostas em salões de arte.
Certo dia, sala cheia, repleta de rostos adolescentes, dirige-se a mim, a mais velha da turma:
- Comment allez-vous?
Como deve responder alguém que saiba, mesmo rudimentarmente um idioma, se lhe dirigem a palavra nessa língua? Ora, a resposta era fácil, a primeira coisa que se aprendia quando as escolas nacionais ainda ensinavam o idioma francês. Despejei alegremente:
- Oh la la! C'est magnifique! Parle vous français? Je vais très bien merci, et vous?
O professor olhou-me, estupefato. Com seu corpo enorme, começou a medir o chão da sala, em largas e pesadas passadas, cadenciadas pelo refrão, que repetia em voz alta:
- Et vous, ... et vous, ...
Foi até o final, voltou ao centro e, com os braços abertos, olhando-nos, arrematou:
- Et vous me fodê! Et vous me fodê!
A obscenidade é e deve ser reproduzida no respeito à história, fielmente descrita. Afinal, é o ponto alto, o desabafo de nosso grande – em todos os sentidos – mestre.
As conversas não teriam o fito de torná-las mais particulares, uma vez que é bastante comum o aluno entender, ao menos, o idioma.
As aulas de desenho, no primeiro semestre do curso, eram ministradas pelo professor Carlão. Ele também lecionava física, para as turmas mais avançadas. Uma figura muito especial. No doutorado, defendeu a tese de que qualquer pessoa era capaz de pintar, como os grandes mestres da pintura.
Nós, seus alunos, reproduzimos telas de artistas consagrados, aprendemos a ler as pinturas e aplicar técnicas do ramo. Guardava as melhores com muito carinho. Além de servirem como material de apoio, que atestava a nossa infinita capacidade, eram igualmente expostas em salões de arte.
Certo dia, sala cheia, repleta de rostos adolescentes, dirige-se a mim, a mais velha da turma:
- Comment allez-vous?
Como deve responder alguém que saiba, mesmo rudimentarmente um idioma, se lhe dirigem a palavra nessa língua? Ora, a resposta era fácil, a primeira coisa que se aprendia quando as escolas nacionais ainda ensinavam o idioma francês. Despejei alegremente:
- Oh la la! C'est magnifique! Parle vous français? Je vais très bien merci, et vous?
O professor olhou-me, estupefato. Com seu corpo enorme, começou a medir o chão da sala, em largas e pesadas passadas, cadenciadas pelo refrão, que repetia em voz alta:
- Et vous, ... et vous, ...
Foi até o final, voltou ao centro e, com os braços abertos, olhando-nos, arrematou:
- Et vous me fodê! Et vous me fodê!
A obscenidade é e deve ser reproduzida no respeito à história, fielmente descrita. Afinal, é o ponto alto, o desabafo de nosso grande – em todos os sentidos – mestre.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
FOI DEUS!
A Renata e mudou-se, com sua família, para um apartamento novo. O apartamento é ótimo, em um local também muito bom. Mas precisava de pintura. Novo, não poderia ficar com cara de velho e sujo. As paredes riscadas não condiziam com o novo ambiente, saudável e arejado.
A família é composta por Lize, a mãe, que é professora, e as duas moças, que trabalham e estudam. Também um rapaz, engenheiro de formação e profissão, que não trocaria uma lâmpada ou mesmo um chuveiro. Nenhum deles tem a menor aptidão para a pintura de paredes.
Correm todos em busca de um pintor: lista telefônica, vizinhos, contatos. Eis que um surge, e logo abandona o serviço. Nova pesquisa. Ao todo, foram dois meses de buscas, sem êxito.
Até que a mãe lembra-se de um pintor, um tal Pavão, que as serviu há cinco anos, na casa antiga. Seu nome estava na agenda velha.
A Renata prontifica-se a ligar. Na dúvida, era melhor não perguntar pelo Pavão: - Bom dia, é da casa do pintor?
Do outro lado, atende uma mulher. Gagueja. Ao final, lembra-se: meu sogro é pintor.
A Renata, nada objetiva: - Desculpe, mas só tenho o apelido, não o nome dele.
A senhora, do outro lado: - É Boi.
Nossa amiga deixa escapar: - Eu tenho escrito aqui Pavão.
Ao ouvir Pavão, a mulher responde: - Pavão? Não conheço nenhum Pavão! Meu sogro é boi. Sempre foi Boi!
A Renata pede, então, para que a interlocutora confirme o número do telefone (é uma saída para pensar). A mulher diz o número, que não confirma o registrado na agenda. Ou seja, havia discado para o número errado. E agora?
O fato é que a Renata se sai muitíssimo bem em situações assim. Decida rápido. Não pensou duas vezes: - Ah, desculpe! Está escrito aqui ao lado, Boi, mentiu. Eu não tinha visto.
O homem, o tal Boi, foi contratado. Um sujeito enorme, do tipo “Á espera de um milagre”. O serviço prestado revelou-se esplêndido, asseverado pelas três mulheres que não sabem pintar uma porta, mas podem avaliar defeitos no serviço que pagam: o menor respingo, uma pequena falha.
Ao final do trabalho, o homem pergunta à Lize, mãe da Renata: - Quem me indicou para a senhora?
Ao que ela, sem titubear, afirma: - Foi Deus, tenho a certeza.
O homem, sem saber a verdade, comenta: - Eu entrego cartões para muita gente. Deve ser isso.
Mal sabe ele.
A família é composta por Lize, a mãe, que é professora, e as duas moças, que trabalham e estudam. Também um rapaz, engenheiro de formação e profissão, que não trocaria uma lâmpada ou mesmo um chuveiro. Nenhum deles tem a menor aptidão para a pintura de paredes.
Correm todos em busca de um pintor: lista telefônica, vizinhos, contatos. Eis que um surge, e logo abandona o serviço. Nova pesquisa. Ao todo, foram dois meses de buscas, sem êxito.
Até que a mãe lembra-se de um pintor, um tal Pavão, que as serviu há cinco anos, na casa antiga. Seu nome estava na agenda velha.
A Renata prontifica-se a ligar. Na dúvida, era melhor não perguntar pelo Pavão: - Bom dia, é da casa do pintor?
Do outro lado, atende uma mulher. Gagueja. Ao final, lembra-se: meu sogro é pintor.
A Renata, nada objetiva: - Desculpe, mas só tenho o apelido, não o nome dele.
A senhora, do outro lado: - É Boi.
Nossa amiga deixa escapar: - Eu tenho escrito aqui Pavão.
Ao ouvir Pavão, a mulher responde: - Pavão? Não conheço nenhum Pavão! Meu sogro é boi. Sempre foi Boi!
A Renata pede, então, para que a interlocutora confirme o número do telefone (é uma saída para pensar). A mulher diz o número, que não confirma o registrado na agenda. Ou seja, havia discado para o número errado. E agora?
O fato é que a Renata se sai muitíssimo bem em situações assim. Decida rápido. Não pensou duas vezes: - Ah, desculpe! Está escrito aqui ao lado, Boi, mentiu. Eu não tinha visto.
O homem, o tal Boi, foi contratado. Um sujeito enorme, do tipo “Á espera de um milagre”. O serviço prestado revelou-se esplêndido, asseverado pelas três mulheres que não sabem pintar uma porta, mas podem avaliar defeitos no serviço que pagam: o menor respingo, uma pequena falha.
Ao final do trabalho, o homem pergunta à Lize, mãe da Renata: - Quem me indicou para a senhora?
Ao que ela, sem titubear, afirma: - Foi Deus, tenho a certeza.
O homem, sem saber a verdade, comenta: - Eu entrego cartões para muita gente. Deve ser isso.
Mal sabe ele.
sexta-feira, 11 de abril de 2008
VÔO ERRADO
Conto o milagre, mas omito o santo, por óbvio.
Quem nos relatou a história disse que um caso desses jamais deveria ser contado pelo protagonista, sequer aos amigos. Se recordado, apenas no banheiro, sozinho, com a luz apagada. Como a história fez-se pública, lá vai ela.
Nosso amigo tinha o destino de ir a Rio Branco, apresentar uma palestra. Para a viagem, precisou embarcar em São Paulo com destino a Brasília, e de lá tomar uma conexão a Rio Branco.
A viagem de São Paulo a Brasília transcorreu normalmente.
Os vôos estavam sofrendo já alguns atrasos, que incomodavam sobremaneira os passageiros.
Chegando lá, foi noticiado que se dirigissem às plataformas de embarque de seus vôos: para tal lugar, plataforma um, para qual lugar, plataforma dois, e assim por diante. Nosso amigo, expedito, embarcou.
Passados alguns instantes, um sujeito o aborda:
- Esse lugar é meu!
- Não, não é! Eu tenho o bilhete, a poltrona é minha.
Quase iniciam uma discussão quando a comissária de bordo, intercedendo, resolve a questão ao sugerir ao novo passageiro outro assento, vago.
Acomodados, o comandante do vôo pede que apertem os cintos, deseja a todos uma boa viagem e anuncia que vai taxiar.
Com o avião em movimento, novo aviso, para desejar novamente uma boa viagem com destino a São Paulo.
São Paulo?! Nosso amigo, no final do corredor, tem um ataque.
- Parem! Parem o avião! Eu vou descer!
A comissária aproxima-se e ele mostra sua passagem. O seu destino é Rio Branco.
Pacientemente, como devem agir as comissárias, informa a moça ao comandante a situação: o avião terá que parar.
O avião pára.
Pelo alto falante, novo aviso:
- Informamos aos senhores passageiros que o vôo sofrerá novo atraso. Aguardaremos o desembarque de um nosso passageiro, que tomou o avião errado.
O nosso amigo, lá no fundo do corredor, encolhe-se: sumir, sumir. E agora?
O jeito foi tomar suas coisas e caminhar o longo corredor, sob as vaias de todos os demais passageiros.
Quando contou a história, disse que processaria a companhia aérea, porque teria ela errado ao informar o número do vôo.
- De todos os passageiros que embarcaram, quantos tomaram o vôo errado?
- Só eu.
Disse cobras e lagartos da companhia até hoje, mas não a processou.
Quem nos relatou a história disse que um caso desses jamais deveria ser contado pelo protagonista, sequer aos amigos. Se recordado, apenas no banheiro, sozinho, com a luz apagada. Como a história fez-se pública, lá vai ela.
Nosso amigo tinha o destino de ir a Rio Branco, apresentar uma palestra. Para a viagem, precisou embarcar em São Paulo com destino a Brasília, e de lá tomar uma conexão a Rio Branco.
A viagem de São Paulo a Brasília transcorreu normalmente.
Os vôos estavam sofrendo já alguns atrasos, que incomodavam sobremaneira os passageiros.
Chegando lá, foi noticiado que se dirigissem às plataformas de embarque de seus vôos: para tal lugar, plataforma um, para qual lugar, plataforma dois, e assim por diante. Nosso amigo, expedito, embarcou.
Passados alguns instantes, um sujeito o aborda:
- Esse lugar é meu!
- Não, não é! Eu tenho o bilhete, a poltrona é minha.
Quase iniciam uma discussão quando a comissária de bordo, intercedendo, resolve a questão ao sugerir ao novo passageiro outro assento, vago.
Acomodados, o comandante do vôo pede que apertem os cintos, deseja a todos uma boa viagem e anuncia que vai taxiar.
Com o avião em movimento, novo aviso, para desejar novamente uma boa viagem com destino a São Paulo.
São Paulo?! Nosso amigo, no final do corredor, tem um ataque.
- Parem! Parem o avião! Eu vou descer!
A comissária aproxima-se e ele mostra sua passagem. O seu destino é Rio Branco.
Pacientemente, como devem agir as comissárias, informa a moça ao comandante a situação: o avião terá que parar.
O avião pára.
Pelo alto falante, novo aviso:
- Informamos aos senhores passageiros que o vôo sofrerá novo atraso. Aguardaremos o desembarque de um nosso passageiro, que tomou o avião errado.
O nosso amigo, lá no fundo do corredor, encolhe-se: sumir, sumir. E agora?
O jeito foi tomar suas coisas e caminhar o longo corredor, sob as vaias de todos os demais passageiros.
Quando contou a história, disse que processaria a companhia aérea, porque teria ela errado ao informar o número do vôo.
- De todos os passageiros que embarcaram, quantos tomaram o vôo errado?
- Só eu.
Disse cobras e lagartos da companhia até hoje, mas não a processou.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Falando em discrição
Por que as pessoas revelam os segredos que lhes foram confiados?
Por primeiro, pensemos na questão do confiar segredos. Por que os confiamos? Para dividir um peso, para nos tornarmos cúmplices, para mostrarmos a nós mesmos que sabemos avaliar as pessoas.
No entanto, poucas delas são confiáveis, a ponto de guardá-los.
Quando de posse de uma informação, têm como que um trunfo, negociável. É algo que o outro não tem. O revelar o segredo é a cumplicidade do confiado com uma terceira pessoa.
Daí, reproduzo o Poema da Discrição, do qual desconheço a autoria, mas o entendo da maior utilidade, para o resguardo de nossa intimidade:
Não te abras com teu amigo
Que ele um outro amigo tem.
E o amigo do teu amigo
Possui amigos também...
(Mário Quintana, Espelho Mágico)
Por primeiro, pensemos na questão do confiar segredos. Por que os confiamos? Para dividir um peso, para nos tornarmos cúmplices, para mostrarmos a nós mesmos que sabemos avaliar as pessoas.
No entanto, poucas delas são confiáveis, a ponto de guardá-los.
Quando de posse de uma informação, têm como que um trunfo, negociável. É algo que o outro não tem. O revelar o segredo é a cumplicidade do confiado com uma terceira pessoa.
Daí, reproduzo o Poema da Discrição, do qual desconheço a autoria, mas o entendo da maior utilidade, para o resguardo de nossa intimidade:
Não te abras com teu amigo
Que ele um outro amigo tem.
E o amigo do teu amigo
Possui amigos também...
(Mário Quintana, Espelho Mágico)
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Eu, pássaro pintado: a alegoria de Kosinski
O menino é enviado
Para safar-se dos alemães.
Perde-se.
Vagueia.
Olhos negros.
Cabelos negros.
Terra de seres alvos:
Pássaro pintado.
O pássaro retirado aos seus,
Pintado, e novamente em liberdade.
Perseguido e bicado.
Até a morte.
"Sou um dos seus!"
É.
Talvez.
Não parece.
Não o reconhecem.
Kosinski narra.
Viveu, conta a história.
Denso.
Sua história.
Nossa história.
Sou o menino.
Sou o pássaro pintado.
Somos.
Jerzy Kosinski narra de forma enxuta, mas marcante.
A alegoria, quiçá encarnada, remete-nos aos eventos mais diversos.
A Polônia de 39 existe, ainda hoje, em toda a parte. Está no Brasil, em cada um de nós. Eles apenas levaram às últimas conseqüências o que nós todos chamamos de uma vida normal.
A normalidade admite a não-aceitação dos contrastes. Admite o mensurar o outro pela observação da cor das penas, ainda que sejam, originalmente, iguais às nossas.
Não é uma alusão à cor da pele, mas uma referência mais ampla, que nos separa em grupos fechados, em equilíbrio. Equilíbrio sutil.
Nesse contexto, todos, em alguma ocasião, somos o pássaro pintado.
Não apenas o outro, mas o diferente, o intruso. Aquele que, de alguma forma, ameaça a igualdade de forças estabelecida.
É o mote que nos separa.
Limitar-me ao meu mundo e aos meus instrumentos. Trabalhar o pensamento e a palavra. Transformar-me, a mim. Tarefa já árdua.
Para safar-se dos alemães.
Perde-se.
Vagueia.
Olhos negros.
Cabelos negros.
Terra de seres alvos:
Pássaro pintado.
O pássaro retirado aos seus,
Pintado, e novamente em liberdade.
Perseguido e bicado.
Até a morte.
"Sou um dos seus!"
É.
Talvez.
Não parece.
Não o reconhecem.
Kosinski narra.
Viveu, conta a história.
Denso.
Sua história.
Nossa história.
Sou o menino.
Sou o pássaro pintado.
Somos.
Jerzy Kosinski narra de forma enxuta, mas marcante.
A alegoria, quiçá encarnada, remete-nos aos eventos mais diversos.
A Polônia de 39 existe, ainda hoje, em toda a parte. Está no Brasil, em cada um de nós. Eles apenas levaram às últimas conseqüências o que nós todos chamamos de uma vida normal.
A normalidade admite a não-aceitação dos contrastes. Admite o mensurar o outro pela observação da cor das penas, ainda que sejam, originalmente, iguais às nossas.
Não é uma alusão à cor da pele, mas uma referência mais ampla, que nos separa em grupos fechados, em equilíbrio. Equilíbrio sutil.
Nesse contexto, todos, em alguma ocasião, somos o pássaro pintado.
Não apenas o outro, mas o diferente, o intruso. Aquele que, de alguma forma, ameaça a igualdade de forças estabelecida.
É o mote que nos separa.
Limitar-me ao meu mundo e aos meus instrumentos. Trabalhar o pensamento e a palavra. Transformar-me, a mim. Tarefa já árdua.
sábado, 19 de janeiro de 2008
A Débora e o guarda-chuva
Certa feita, a professora Débora, na pretensão de exemplificar o direito de propriedade, relembrou uma história vivida por ela e sua avó.
Ela era menininha, e sua avó a levava à escola, todas as manhãs.
Chovia, e ambas abrigavam-se em um mesmo guarda-chuva. De repente, um vento fustiga as caminhantes e vira o aparelho.
A avozinha, nervosa, tenta colocá-lo a prumo: uma, duas, três vezes.
Ensopadas, impotentes diante do aguaceiro, têm apenas o guarda-chuva desmantelado a servir de testemunha. Testemunha muda, imbecil, imprestável.
Não pensando duas vezes, a avó bate violentamente o guarda-chuva contra o primeiro poste, várias e várias vezes:
- Droga de guarda-chuva! Inútil! - Bradava a avozinha, sem norte. Choveram os impropérios, que lhe desafogaram o peito.
Molhadas, sim. Encharcadas. Porém, vingadas.
A moral da história está representada na violência contra o guarda-chuva: era propriedade da vovó, e a sua destruição - diga-se, total - não causou mal algum a ninguém. Assim, se o inútil foi detonado, a quem importou?
No caso, não há função social de nada, não há obrigação nenhuma, não há direito de ninguém, a não ser o da dona do guarda-chuva.
Exemplo dado, gravado, passado adiante.
Ela era menininha, e sua avó a levava à escola, todas as manhãs.
Chovia, e ambas abrigavam-se em um mesmo guarda-chuva. De repente, um vento fustiga as caminhantes e vira o aparelho.
A avozinha, nervosa, tenta colocá-lo a prumo: uma, duas, três vezes.
Ensopadas, impotentes diante do aguaceiro, têm apenas o guarda-chuva desmantelado a servir de testemunha. Testemunha muda, imbecil, imprestável.
Não pensando duas vezes, a avó bate violentamente o guarda-chuva contra o primeiro poste, várias e várias vezes:
- Droga de guarda-chuva! Inútil! - Bradava a avozinha, sem norte. Choveram os impropérios, que lhe desafogaram o peito.
Molhadas, sim. Encharcadas. Porém, vingadas.
A moral da história está representada na violência contra o guarda-chuva: era propriedade da vovó, e a sua destruição - diga-se, total - não causou mal algum a ninguém. Assim, se o inútil foi detonado, a quem importou?
No caso, não há função social de nada, não há obrigação nenhuma, não há direito de ninguém, a não ser o da dona do guarda-chuva.
Exemplo dado, gravado, passado adiante.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
PAPAI NOEL - CRÔNICAS DE UMA ESTAGIÁRIA DE DIREITO - NO POUPATEMPO
A Lígia anunciou o Papai Noel. Era idêntico aos desenhos, às fotografias de Natal: a altura, as bochechas, o porte. Tinha a barba branca e os olhos grandes. Tudo idêntico, com um senão: era negro. Negro, alto, pobre, o nosso Papai Noel.
Procurava informação quanto a algum benefício do governo. Morando em casa cedida de favor, vivia da assistência prestada pela igreja.
Pesquiso na internet a respeito do LOAS. LOAS é a abreviatura da Lei nº 8.742, conhecida como a Lei Orgânica da Assistência Social. Um benefício do governo, dirigida aos carentes e sem recursos para sua própria subsistência. Idosos sem recursos e portadores de deficiência física incapacitada para a vida independente e para o trabalho, que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção e nem de tê-la provida por sua família, têm garantido um salário mínimo por mês, durante o resto de suas vidas. Se o Papai Noel preenchesse os requisitos, poderia contar com um salário mínimo por mês, o que no seu caso já seria de grande valia.
Encontro o site do Planalto, leio: setenta anos. Pesquiso outros sites. Indago aos meus colegas, e bingo! O Estatuto do Idoso alterou a concessão dos benefícios do LOAS, reduzindo a idade de concessão para sessenta e cinco anos.
Quantos anos o senhor tem? Sessenta e quatro. Acabou de completar. Papai Noel não se encaixa. Existe previsão para reduzir a idade para a aquisição do benefício para sessenta anos, até dois mil e oito. Dois mil e oito está relativamente distante.
Muito, para quem precisa já.
Perguntei-lhe se não tinha família, filhos. Teve. Sobrou-lhe um filho, morador no interior do Paraná. Este é mecânico e pobre. Com família e poucos recursos, assim envia, quando pode, uns parcos cem reais ao pai. Entretanto, pouco pode.
O caso é triste, como o são muitos casos trazidos pelas pessoas que nos procuram. Digo-lhe que possui duas alternativas: ou espera completar os sessenta e cinco anos, ou ingressa com uma Ação de Alimentos em face do filho. Explico do seu direito a receber uma prestação alimentar. Senão o filho, quem o poderia? Talvez um irmão? A hipótese do recebimento de alimentos de filho ou parente é descartada de pronto.
Resta esperar.
Papai Noel não pretende trabalho empregado. Já trabalhou. É alto e forte. Há seis anos está sem trabalho fixo, desde um afastamento, por doença. Às vezes, lhe aparece um “bico”. Vive como Deus lhe concede viver. E viver é tudo quanto pretende, até quando mais não possa.
Procurava informação quanto a algum benefício do governo. Morando em casa cedida de favor, vivia da assistência prestada pela igreja.
Pesquiso na internet a respeito do LOAS. LOAS é a abreviatura da Lei nº 8.742, conhecida como a Lei Orgânica da Assistência Social. Um benefício do governo, dirigida aos carentes e sem recursos para sua própria subsistência. Idosos sem recursos e portadores de deficiência física incapacitada para a vida independente e para o trabalho, que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção e nem de tê-la provida por sua família, têm garantido um salário mínimo por mês, durante o resto de suas vidas. Se o Papai Noel preenchesse os requisitos, poderia contar com um salário mínimo por mês, o que no seu caso já seria de grande valia.
Encontro o site do Planalto, leio: setenta anos. Pesquiso outros sites. Indago aos meus colegas, e bingo! O Estatuto do Idoso alterou a concessão dos benefícios do LOAS, reduzindo a idade de concessão para sessenta e cinco anos.
Quantos anos o senhor tem? Sessenta e quatro. Acabou de completar. Papai Noel não se encaixa. Existe previsão para reduzir a idade para a aquisição do benefício para sessenta anos, até dois mil e oito. Dois mil e oito está relativamente distante.
Muito, para quem precisa já.
Perguntei-lhe se não tinha família, filhos. Teve. Sobrou-lhe um filho, morador no interior do Paraná. Este é mecânico e pobre. Com família e poucos recursos, assim envia, quando pode, uns parcos cem reais ao pai. Entretanto, pouco pode.
O caso é triste, como o são muitos casos trazidos pelas pessoas que nos procuram. Digo-lhe que possui duas alternativas: ou espera completar os sessenta e cinco anos, ou ingressa com uma Ação de Alimentos em face do filho. Explico do seu direito a receber uma prestação alimentar. Senão o filho, quem o poderia? Talvez um irmão? A hipótese do recebimento de alimentos de filho ou parente é descartada de pronto.
Resta esperar.
Papai Noel não pretende trabalho empregado. Já trabalhou. É alto e forte. Há seis anos está sem trabalho fixo, desde um afastamento, por doença. Às vezes, lhe aparece um “bico”. Vive como Deus lhe concede viver. E viver é tudo quanto pretende, até quando mais não possa.
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